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publicado em 31/10/2019 às 09h39
Tristes constatações do duplo plágio consecutivo no Exame de Ordem

Cada inscrito no Exame de Ordem paga R$ 260,00 para ter o direito de fazer a prova. Se nessa edição nós tivemos 122 mil inscritos, é bem razoável imaginar que uns 15 mil conseguiram as isenções, em um chute generoso, pois desde o XXIX Exame a banca apertou bastante nos critérios de concessão das isenções.

Fazendo a matemática toda, esta edição do Exame de Ordem pode ter rendido, mais ou menos, uns 27 milhões para a dupla OAB/FGV.

É muito dinheiro!

Dinheiro o suficiente para se fazer uma prova de EXCELÊNCIA. Excelência mesmo, sem quaisquer intercorrências.

Mas não é isso que nós vemos. Não é isso o que acontece.

Os plágios consecutivos ocorridos nas últimas duas edições indicam que algo de muito, mas muito errado ocorre na preparação e condução da prova.

Tivemos o primeiro plágio no XXIX Exame de Ordem. A questão foi anulada de ofício, o que é algo ruim para FGV. Afinal, uma anulação de ofício é um indicativo de que o vício na questão é grave.

Daquele episódio podemos inferir dois possíveis desdobramentos lógicos:

Desdobramento 1 - A OAB ter advertido a FGV e determinado uma revisão no material da prova, para que um episódio igual não mais ocorresse;

Desdobramento 2 - A OAB ter ficado inerte (inerte junto com a FGV) e nada ter sido feito.

Se a OAB seguiu o desdobramento 1, que seria o mais lógico, a FGV ignorou por completo. O que é grave!

Se a OAB seguiu o desdobramento 2, ela foi completamente omissa.

A verdade é que o IMPENSÁVEL aconteceu: um segundo plágio, na prova seguinte, na mesma disciplina, da mesma prova copiada (Advogado Petrobrás - 2012) e da mesma organizadora (CESGRANRIO), aconteceu.

Vocês têm noção do quão revelador isso é?

Têm ideia do tamanho do DESCASO com a condução da prova que esse duplo plágio consecutivo mostra?

A FGV comunicou ao Jornal Leia Já uma nota sobre o episódio que expõe muito sobre a condução do Exame:

"A FGV esclarece que já elaborou, nos últimos 10 anos, 29 exames para a OAB, o que corresponde a elaboração de 2607 questões inéditas, numa média de 03 exames por ano. Para resgate da verdade é fundamental informar que o que houve no último exame foi, única e tão somente, a elaboração de uma questão de Direito Internacional, por uma professora mestre e doutora, que já havia constado em uma prova de concurso para outra instituição, nos idos de 2012.

A FGV tem compromisso, inclusive, com o ineditismo das questões, pelo que concordou com a anulação da questão, sem qualquer prejuízo para os candidatos, que receberam a pontuação correspondente e, ainda, desligou a professora do corpo técnico responsável pela elaboração das questões."

Fonte: Leia Já

Na prova passada foi constatado o plágio mas a professora só foi afastada na 2ª oportunidade? É muita condescendência da banca!

O curioso é que só agora, após a repetição do problema, é que ela foi afastada, e afastada por iniciativa da própria FGV. Isso significa dizer que a OAB NÃO PEDIU NADA!

Era para a professora ter sido demitida no XXIX Exame de Ordem, e ter sido demitida por determinação da própria OAB. Não foi o que aconteceu.

Era para o banco de questões ter sido revisado, escrutinado, mas não foi isso o que aconteceu.

A pergunta é: como é que o Exame de Ordem é gerido?

Pela qualidade das questões que vimos nesta última prova do XXX Exame, a resposta é uma só: não muito bem!

Um exemplo apenas dentre muitos outros que podem ser tirados desta 1ª fase: a questão do Direito Desportivo.

Elaboram uma questão remetendo a um ramo ESTRANHO ao edital (Direito Desportivo), com o claro propósito de gerar confusão nas mentes dos candidatos, de uma forma já repudiada pelo Judiciário, e a banca NÃO ANULA a questão só por que ela não estaria "errada!"

Ela VIOLA o edital, tão somente! Sua construção é capciosa, feita para o candidato errar em função da confusão ao se ver um ramo estranho a tudo o que ele estudou para a prova.

É de chorar!

Enunciados truncados, alguns sem clareza, com temas extremamente específicos, distantes do que os candidatos estudam, fora do escopo de avaliação do mínimo necessário para o exercício da advocacia.

Essas questões passam de verdade pelo crivo de alguém? Pelo visto não, né? Se questões plagiadas são ignoradas, imaginem questões malfeitas.

Está feia a coisa! Está feio para o Exame de Ordem. Está feio para a OAB que tem de ter a ATENÇÃO CHAMADA pelo Blog Exame de Ordem para correr e anular de ofício uma questão plagiada.

Teve crime no Exame de Ordem e a OAB não vai fazer nada?

No plágio da prova passada a OAB não fez nada! Rigorosamente nada! 

Não abriu procedimento administrativo e, aparentemente, não cobrou providências da FGV. Se o fez, não acompanhou os desdobramentos, porque tivemos um novo plágio agora, no XXX, nas mesmíssimas condições.

Na nota publicada no site do Exame de Ordem, a OAB disse que "atuou de forma imediata": 

"Em relação à questão 20, a OAB Nacional atuou de forma imediata, após constatar indícios de plágio na questão citada e decidiu pela anulação do item e pelo encaminhamento de pedido de apuração dos fatos junto à Fundação Getulio Vargas, que é a banca responsável pela aplicação e formulação dos cadernos de prova."

Fonte: OAB

Não atuou NÃO! 

Atuou com um Exame de atraso! Era para ter agido no XXIX Exame de Ordem!

Atuou só na sexta no segundo episódio, quando plágio foi denunciado por mim na terça-feira aqui no Blog, e o texto reclamando por providências (quando então a Ordem acordou, após a pressão nas redes sociais explodir), foi publicado na quinta-feira.

O plágio foi descoberto na terça e só na sexta a Ordem fez algo. E o fez por conta da grande exposição negativa.

Só o fez porque o problema aconteceu pela segunda vez consecutiva.

Neste momento alguém pode até ponderar: "tanta crítica por conta de um só episódio?"

Não é um episódio qualquer! Foi um plágio!! Plágio é CRIME!

Plágio consecutivo na maior prova jurídica do mundo!

E não é só um episódio: toda santa prova tem uma controvérsia!

A OAB deveria convocar uma reunião e dar uma explicação à sociedade. Deveria convocar uma reunião e tomar pulso de sua própria prova.

A OAB deveria tirar a FGV do Exame de Ordem!

Por que vamos combinar: o amor entre essa dupla é gigantesco! Eu não consigo imaginar mais motivos do que já temos para a Ordem finalmente acordar e trocar de organizadora. E, ainda assim, NADA acontece!

A sensação que tenho que a relação entre a OAB e a FGV não passa nem por um mísero D.R. (discussão de relacionamento).

É uma relação inabalável! De dar inveja a todo e qualquer casal, mesmo que a prova, o fruto desse amor todo, apresente uma bomba a cada edição, com questões malfeitas e controvérsias infinitas.

Quem explica isso?

Tenho certeza de que na condução do Exame tem muita gente competente, séria e capaz, mas as falhas recorrentes na prova obliteram por completo qualquer imagem positiva que a prova possa vir a ter e qualquer bom trabalho desempenhado em sua condução.

O que é péssimo para todo mundo!

A única coisa certa neste episódio todo foram as 3 anulações de ofício determinadas pela Coordenação Nacional do Exame de Ordem, feitas com correção e justiça.

Mas é preciso fazer mais! É preciso anular quando o erro existe (Vão dizer que nas 13 edições sem anulações desde o VIII Exame de Ordem não tivemos nada de errado?), é preciso corrigir quando há margem para melhorar, é preciso mudar quando for necessário.

Falo a mesma coisa há anos: o Exame de Ordem para ficar bom, mas bom mesmo, precisa de muito pouco.

E o pouco que falo pode ser resumido a uma única frase: ser gerido com QUALIDADE.

O episódio do duplo plágio representa um atestado inquestionável de imensa INCOMPETÊNCIA.

Que coisa triste de se constatar!

Triste mesmo!

Os candidatos merecem muito mais do que isto, especialmente pagando cada um R$ 260,00 e proporcionando um faturamento (sem impostos) de R$ 27 milhões por edição.

Melhorem!



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