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Uma revisão sem igual para vocês fazerem bonito na prova da OAB!

publicado em 15/04/2019 às 10h10
Brasileira conta como é difícil se tornar advogada nos Estados Unidos

Recebi um texto muito interessante da advogada brasileira e estudante de Direito nos Estatos Unidos, Talitha Krenk.

www.talithakrenk.com

Ela, tal como praticamente a totalidade dos advogados, ficou indignada com o PL 832/2019, do deputado  José Medeiros (PODEMOS/MT), que visa acabar com o Exame de Ordem no Brasil.

Talitha, que está enfrentando a trajetória para se tornar advogada nos Estados Unidos, narrou como funciona o processo para se tornar advogado por lá. 

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É uma interessante análise sobre a diferença da forma como se estuda aqui e como se estuda lá, e, claro, da seriedade com que a preparação por lá é feita, assim como é cobrada.

O modelo é completamente diferente do nosso e, sob minha ótica, bem mais exigente. E, curiosamente, por lá não existe movimento algum para acabar com a prova. Muito provavelmente porque tanto a seleção inicial como também o próprio período durante a faculdade já sirva para descartar quem não tem condição de efetivamente advogar.

Aqui no Brasil, por outro lado, prevalece não só um gigantesco estelionato educacional (termo cunhado e usado por TODOS os presidentes da OAB desde a gestão de Ophir Cavalcante) como também um indisfaçado pacto da mediocridade, onde as faculdades fingem que ensinam e os estudantes fingem que aprende.

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Impossível existir qualidade no ensino Brasileiro com quase 1.600 faculdades de Direito. O Exame de Ordem aqui é o único filtro sério que protege a população de profissionais sem mínimas condições par ao exercício profissional.

Leitura importante, especialmente para quem pensa que o Exame de Ordem é uma jabuticaba.

Confiram o texto, escrito com exclusividade para o Blog Exame de Ordem:

Caro Senhor Deputado Propositor do Projeto de Lei 832/2019 que visa extinguir o Exame de Ordem no Brasil,

Meu nome é Talitha Krenk, sou advogada inscrita na OAB/PB e estudante do curso de Direito nos Estados Unidos.

Para ser advogada nos Estados Unidos eu precisei fazer um Bacharelado. Aqui não tem universidades gratuitas e os alunos precisam se endividar com empréstimos para pagar a universidade.

Após o primeiro diploma de Bacharel, nós fazemos uma prova estilo vestibular chamada LSAT e assim enviamos nossa documentação para faculdade de Direito. Para sermos admitidos, somos avaliados pelo critério subjetivo. Ou seja, além de tirarmos uma nota boa no “vestibular”, eu preciso ter tirado notas boas no Bacharelado, ter 3 cartas de recomendações e ainda convencer a banca de admissão do porquê eu mereço estudar naquela universidade (que me custará 100 mil dólares, sem contar o que gastei no curso de Bacharelado, lembra?)

Se aceita no curso de Direito, eu passarei mais 3 anos da minha vida me dedicando integralmente à universidade, pois aqui nos EUA, estudante de Direito em tempo integral não pode trabalhar. A universidade proíbe. Aluno de Direito tem que estudar para tirar boas notas.

Antes do primeiro dia de aulas, no sistema da universidade, eu recebo a agenda do semestre inteiro com todas as leituras que devo fazer. Eu também recebo uma lista de livros mandatórios, que custam em media $250 dólares cada e eu preciso tê-los antes do primeiro dia de aulas. Como eu vou pagar? Eu não sei. Quer ser advogado? Se vira! Não é qualquer um que pode ser advogado. Eu também não posso faltar mais de 10% das minhas aulas, ou sou reprovada por faltas.

Lembra da lista de leituras, Sr. Deputado? Eu tenho que ler e aprender todos os casos ANTES das aulas, sozinha em uma biblioteca.

O Professor de Direito não ensina. Ele é mero facilitador, e ele usa o método Socrático de Ensino onde ele induz o aprendizado por meio de perguntas. Eu tenho que estar preparada antes de cada aula, pois meus professors tem uma lista com o nome de cada aluno. As aulas consitem em se chamarem alunos para serem sabatinados. E como todos os meus colegas estarão preparados, não saber responder ao professor é caso de humilhação.

Eu só tenho uma prova no final do semestre. Essa prova será a minha média. Não existe “recuperação”, ou eu passo (mesmo com nota baixa), ou eu sou reprovada.

E se eu tiver uma média baixa, minhas chances de conseguir bons estágios são muito pequenas, pois o empregador vai me julgar pelas minhas notas. No final, quando eu sobreviver a tudo isso, eu terei um “Exame de Ordem Estadual”, e com ele, a averiguação da minha conduta profissional e estudantil. E quando eu passar nesse exame, eu serei advogada APENAS no respectivo Estado da prova. Isso, Sr. Deputado, EU TEREI QUE FAZER UM EXAME DE ORDEM PARA CADA ESTADO QUE EU DESEJE ATUAR! E no sistema ainda ficarão registradas todas as minhas tentativas.

Assim, eu serei advogada nos Estados Unidos. É possível! Não só eu, mas todos os meus colegas que lutam diariamente por essa profissão linda.

Eu serei valorizada, ganharei bem, e todos os meus clientes saberão que eu cobro. Eu cobro um preço justo e compatível com a minha educação.

A solução não dar um pedaço de papel, onde os jovens bacharéis serão advogados, mas desempregados e mal remunerados. A solução é valorizar a educação, pois só ela é capaz de formar indivíduos capazes de melhorar o Brasil.

Com todo o meu respeito,

Uma estudante de Direito Americano cansada, mas feliz.



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