publicado em 06/02/2019 às 09h31
As bancas da 2ª fase da OAB são rigorosas na correção das provas?

Qual é o rigor dos corretores das provas subjetivas da OAB?

Essa é uma pergunta muito comum, e também muito relevante, feita por todos que estão aguardando o resultado da 2ª fase, que será divulgado na próxima terça-feira, dia 12/02.

Todo mundo sonhando com, ao menos, uma correção justa de sua prova.

E como funciona essa questão? Existe mesmo um rigor diferenciado entre uma banca de 2ª fase e outra?

Uma semana para o resultado da OAB!

A resposta é não! Não existe um rigor nas correções em função da banca, mas existe outro problema: a qualidade da correção.

O rigor na 2ª fase ocorre ANTES da aplicação da prova, exatamente durante a sua formulação, e não depois.

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Posso dar como exemplo a prova de trabalho do XXVI Exame, absolutamente fora do escopo e muito mais difícil do que qualquer edição anterior, tendo rendido até uma análise especial do Blog:

O quão nojenta foi a peça de trabalho do XXVI Exame de Ordem

Posso também mencionar o recentíssimo exemplo de Civil do XXV Exame de Ordem. A prova regular foi bem difícil (um Resp), enquanto a reaplicação de Porto Alegre foi um passeio no parque (uma ação de alimentos, provavelmente a peça prática mais fácil de todos os tempos).

Candidatos indignados com a 2ª fase de Porto Alegre

Ou seja: o rigor da banca ocorre quando a prova é elaborada, e vocês sentem isso, obviamente, no dia da aplicação da prova.

E as correções? Existe um rigor nelas?

Eu não chamaria, propriamente, de rigor. Mas sim de técnica específica e, claro, que envolve a possibilidade de falha humana.

Os corretores da prova simplesmente tentam enquadrar a redação dos candidatos com os respectivos espelhos. Se o candidato respondeu em consonância com o espelho, a nota é atribuída. Do contrário, tira zero no item.

Aqui surge o grande problema: a prova é subjetiva, e não raro os candidatos escrevem no MESMO SENTIDO do espelho, mas usando palavras de forma diferente.

O grande problema das correções, portanto, está na INTERPRETAÇÃO que os corretores dão para as redações dos candidatos.

E, creiam-me, isso gera muita discordância!

A grande massa dos reprovados discorda da forma como a banca interpretou suas redações. Isso é extremamente comum.

Uma outra parte discorda do próprio espelho, questionando a interpretação da banca, mas neste ponto pouco pode ser feito.

Trabalho de forma pioneira na elaboração de recursos da 2ª fase desde 2008, e criei a metodologia, hoje amplamente usada por outros professores e cursinhos, de atacar de forma lógica esse tipo de falha.

Sim! Com um bom recurso a correção pode ser revista e salvar a aprovação do examinando.

Já testemunhei casos em que candidatos majoraram suas notas em até 3 pontos, como também já vi candidatos reprovarem por apenas um décimo e não ter como resgatar sua nota, pois a correção foi feita de forma correta.

Existe uma boa gama de possibilidades nas correções.

Na média, podemos dizer que as correções são medianas. Não é possível ainda elogiá-las.

Percebam, portanto, que o X da questão está no processo de enquadramento das respostas, e isso não é feito por uma banca, mas sim, isoladamente, por pessoas, prova por prova.

Os corretores se consultam quando há uma dúvida de interpretação quando a redação de um candidato. Neste caso, a correção é feita após o surgimento de um consenso entre quem consulta e o consultado.

Agora, neste momento, as correções devem estar para terminar. Vamos torcer para que a qualidade geral delas cresça para esta edição. De uma forma geral, houve uma pequena melhora após o XX Exame, que teve a pior correção de todos os tempos.

Na próxima terça-feira saberemos então a verdade!