publicado em 25/07/2017 às 07h27
O tamanho do estrago do XXIII Exame de Ordem

Na minha concepção só existe uma forma de avaliar o grau de dificuldade de uma edição do Exame de Ordem: com os números.

Qualquer outra fórmula envolve subjetivismos, percepções particulares, e isso oferece, em regra, uma visão distante da objetividade e clareza oferecida pelos números.

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Mas os números só poderão revelar a visão que queremos no próximo dia 7, quando será publicado o resultado preliminar da 1ª fase. Neste dia, aí sim, teremos a exata dimensão do que foi a prova do domingo.

Ainda assim é possível, com base na experiência ao longo de muito tempo e com alguns sinais colhidos aqui e ali, estimar provisoriamente o que foi a prova.

Passado o choque inicial das muitas mudanças apresentadas "no susto" pela FGV, estou convicto de que, ao menos, a última prova NÃO foi tão ruim quanto a prova do XXI Exame.

Não???

Não!

Não foi, é claro, nenhuma maravilha, mas tenho bons motivos que, ao menos estatisticamente a prova foi um pouco melhor que a 2ª pior prova da era FGV.

A pior prova, até hoje, foi a do IX Exame de Ordem. Ela foi tão ruim que a OAB sequer divulgou a lista preliminar de aprovados. Depois de um tempo eu fiquei sabendo o porquê disto: o percentual de reprovação havia sido acima de 90%. Fiz uns cálculos por conta própria, à época, e estimei em uma reprovação de 92% dos candidatos. Quando a lista preliminar finalmente foi divulgada, a Ordem tomou o cuidado de anular 3 questões, para a coisa não ficar muito feia.

Mitigou o quadro naquela oportunidade.

A prova do XXI fez também um estrago.

Tivemos aproximadamente 120 mil candidatos então inscritos no XXI Exame de Ordem. Não sabemos quantos foram reprovados exatamente, pois também no XXI a OAB anulou questões de ofício para a lista de aprovados não parecer muito esquálida. Com as duas anuladas de ofício tivemos

Tivemos aproximadamente 120 mil candidatos estão inscritos no XXI Exame de Ordem, o que é um número regular de inscritos considerando a média das edições anteriores.

A reprovação na 1ª fase do XXI, sem as duas anulações de ofício, é desconhecida, mas foi bem pesada. Com a divulgação da lista de aprovados tivemos 20.510 examinandos aprovados. Ou seja, o percentual de aprovação foi de 17,09%. Um percentual digno de DUAS fases da OAB, e não só de uma. A aprovação sem as anuladas deve ter ficado na casa dos 12%.

Pelos indícios apresentados até agora, seguramente tivemos uma das piores provas até hoje. Mas parece ser tão ruim comparando com o XXI Exame, a mais recente PÉSSIMA experiência dos examinandos.

Mas, SEM DÚVIDA, foi uma prova muito difícil e a reprovação tende a estar entre as 4 piores em uma 1ª fase.

XXIII Exame de Ordem: datas e perspectivas de anulações

Ruim o suficiente para "corremos o risco" de vermos, pela 3ª vez, a Ordem anular questões de ofício.

É uma boa possibilidade.

Recurso XXIII Exame de Ordem – Direito Penal

Recurso XXIII Exame de Ordem-Direito Civil

Recurso XXIII Exame de Ordem- 2º de Direito Civil

Em provas passadas ditas "normais", em suas respectivas primeiras fases, a FGV estava aprovando entre 30 e 35% dos candidatos.

Culpa dos candidatos?

Os examinandos rotineiramente levam a culpa, sempre acusados de não estarem a altura da prova. É uma forma fácil de mascarar o problema. No que os reprovados deste exame seriam piores do que os candidatos da prova anterior? O mundo mudou tanto assim em apenas 4 meses?

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Mas, como não estou de posse das estatísticas, não posso afirmar nada de forma categórica. Vou esperar pacientemente pela lista preliminar e ver de verdade o tamanho do estrago.

No dia 07/08, segunda-feira, saberemos de verdade como foi a prova. Os números não vão mentir!

Mas, ainda assim, tenho a certeza de que a prova do domingo foi uma das piores de todos os tempos.



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