Mega Revisão Jus21

Uma revisão sem igual para vocês fazerem bonito na prova da OAB!

publicado em 22/05/2019 às 13h02
Como ser um estudante altamente disciplinado?

Uma verdade: é bem difícil, para muitos, sair do zero diante de qualquer projeto, especialmente quando ele envolve uma boa dose de esforço.

Podemos pegar, por exemplo, o início de um projeto de condicionamento físico. O início é mais ou menos como tentar gostar óleo de rícino de bacalhau: insuportável.

A pessoa começa a correr, logo começa a ofegar, sentir toda a sorte de dores, falta de ar e finalmente ela para.

O início é sempre ruim!

Lembrando que a sensação ruim é, acima de tudo, uma resposta neurofisiológica. A percepção negativa sobre a corrida é algo que ocorre no cérebro, e não é a corrida em si que modificará o que sentimos, e sim o próprio cérebro tratará e estabelecer as mudanças sobre nossa percepção sobre correr em razão do estímulo oferecido, nada mais, nada menos, que o a própria corrida.

Estou falando de uma mudança de percepção, e ela se dá em razão de uma característica do nosso cérebro.

Estou falando da plasticidade cerebral!

O que é isso?

A plasticidade cerebral é uma propriedade do sistema nervoso que permite o desenvolvimento de alterações estruturais em resposta à experiência, e como adaptação a condições mutantes e a estímulos repetidos.

A resolução de questões, a análise do erro e a formação da memória

Se alguém resolve aprender uma nova habilidade, como por exemplo jogar tênis, certas áreas do cérebro ligadas ao desenvolvimento neuromotor passarão por um processo de adaptação, e passarão por um processo de desenvolvimento ao longo de determinado tempo. Isso em comparação com o cérebro de uma pessoa que não pratica este esporte.

E, caso o estímulo deixe de ser oferecido, as áreas cerebrais envolvidas no processo tendem a retornar ao estado anterior.

Por que então odiamos iniciar uma atividade de condicionamento?

Em termos neuronais, retirar o cérebro da condição anterior, ou seja, de inércia, é bem mais doloroso, pois o cérebro tende a permanecer estável.

Ele já está condicionado!

Por isso que romper com atual estado é complicado, pois o cérebro terá de se aperfeiçoar para passar a utilizar áreas que até então não estão sendo usadas ou estão sendo pouco demandas.

Sua reprovação está nas disciplinas que você não gosta!

Logo, a plasticidade cerebral está vinculada ao processo de REPETIÇÃO DE ESTÍMULOS.

Em algum momento, após insistir na corrida de forma diária, a resistência ao exercício será mitigada até desaparecer, e correr não será mais algo desagradável.

E qual a correlação disto com os estudos?

Toda!

Já se deram conta de que dar início ao processo de estudos é a parte mais complicada de todas? Começar é, sem dúvida, a etapa mais difícil de qualquer processo de preparação.

Correr, estudar, tocar música, aprender uma língua, se recuperar de um AVC ou mesmo o processo de readaptação após a perda da visão envolvem o conceito de plasticidade cerebral, ou, uma adaptação dos neurônios a uma nova condição.

Muito tempo sem estudar? Como reiniciar a preparação para a OAB?

Com a oferta contínua de estímulos, ao longo do tempo o cérebro irá se adaptando a nova condição até se acostumar com ela. Uma vez adaptado, sair desta nova condição tornar-se-á enfim algo difícil,pois o cérebro tende a exigir o estímulo.

Com os estudos ocorre a mesma coisa: após certo tempo, com o estudante se obrigando a estudar, ou seja, forçando o estímulo "estudo", o cérebro passará por esse processo de adaptação e, ao fim, estudar será um hábito e, enquanto ato, deixará de ser incômodo.

Por isso o início é a parte mais complicada, e por isso falamos, exatamente, na força de vontade.

Uma vez cientes deste processo, resistir à tentação de desistir quando se dá o início de uma nova atividade é VITAL para assegurar, mais a frente, a adaptação e natural continuidade à atividade escolhida.

Estudar dói? Dói, mas dói até certo ponto. Depois, vira prazer, ou, pelo menos, algo que não incomoda.

E quanto tempo se leva para consolidar o hábito de estudar?

Quanto tempo leva o cérebro no processo de adaptação a uma nova forma de se comportar?

Esse questionamento é muito significativo quando estamos lidando com a preparação para a OAB e concursos públicos, pois o desenvolvimento da rotina é fundamental para a implementação de projetos de aprovação de médio ou longo prazo.

Como sabemos, dar início ao processo de estudos é o passo mais complexo, e manter a rotina só passa a ser uma atividade "normal" quando o cérebro (que não é um músculo, mas não raro é retratado como tal) passa por um processo de adaptação dada a sua capacidade de se amoldar às novas circunstâncias.

Em seu livro - Making Habits, Breaking Habits: Why We Do Things, Why We Don't, and How to Make Any Change Stick - o psicólogo Jeremy Dean questionou a resposta padrão dada a esta pergunta, amplamente divulgada em sites populares de psicologia e colunas de conselhos: 21 dias.

Dean achou estranho que este prazo servisse indistintamente para todas as pessoas, por mais diferentes que elas fossem e para as mais distintas atividades, como manter a rotina de escrever um diário ou iniciar e manter um regime.

O Dr. Dean abordou de forma científica, através da experimentação empírica, o processo de formação de um hábito. Ele citou um experimento sobre este processo:

"Em um estudo realizado na Universidade College London, 96 participantes foram convidados a escolher um comportamento cotidiano que queriam que transformassem em um hábito. Todos escolheram algo que não faziam, e isso poderia ser repetido todos os dias. Os participantes se logavam a um site e informavam se tinham ou não se submetido naquele dia ao hábito que haviam escolhido e se haviam ou não agido de forma automática ao comportamento escolhido.

O hábito, ou o processo de "agir sem pensar", revelador da automaticidade do comportamento, ajudou a revelar a verdadeira questão no núcleo da investigação: quanto tempo levou realmente levar para as pessoas a formar um hábito?"

Eis a constatação:

A resposta simples é que, em média, entre todos os participantes que forneceram dados suficientes, demoraram em média 66 dias até a formação do hábito. Como você pode imaginar, houve variação considerável na forma como os hábitos longos demoraram para se formar, dependendo exatamente do que as pessoas tentaram fazer. As pessoas que resolveram beber um copo de água depois do almoço foram atingiram a automaticidade após cerca de 20 dias, enquanto que aqueles que tentaram comer uma peça de fruta junto ao almoço levaram pelo menos o dobro do tempo para transformá-lo em um hábito. O hábito do exercício provou mais complicado, tal como "50 abdominais após o café da manhã," que NÃO se transformou em um hábito após 84 dias para um participante. "Caminhar por 10 minutos após um lanche", no entanto, transformou-se em um hábito após de 50 dias para outro participante.

Quando o Dr. Dena resolveu montar gráficos com o desempenho dos voluntários, ele encontrou uma relação (em formato de curva) entre o hábito e o automatismo, significando que as repetições anteriores eram uma espécie de benéfico para o estabelecimento de um hábito, e os ganhos com as repetições foram diminuindo gradualmente ao longo do tempo. A explicação foi a seguinte:

É como tentar correr para cima de uma colina que começa em níveis íngremes e gradualmente vai aplainando. No início você está fazendo um grande progresso para cima, mas quanto mais perto você chegar ao pico, menores os ganhos de altitude a cada passo.

Isso me lembrou imediatamente a aplicação da lógica de Paretto, onde geralmente 20% dos esforços são responsáveis por 80% de resultados. No caso, as partes mais íngremes do gráfico produzem os melhores desempenhos dos participantes, e quando o esforço produz menores ganhos, ao cegarem no topo do gráfico, a sensação de avanço dentro do processo de consolidação do hábito é menor.

Vejam alguns exemplos desta lógica:

a) Uma livraria não pode ter todos os títulos do mercado, portanto ela aplica a regra de Pareto e foca em 20% dos títulos que geram 80% da receita.

b) A maioria dos acidentes de carro ocorre em um número relativamente pequeno de cruzamentos, na faixa da esquerda em determinada hora do dia.

c) A maioria dos acidentes fatais ocorre com jovens.

d) Em vendas comissionadas, 20% dos vendedores ganharão mais de 80% das comissões.

e) Estudos mostram que 20% dos clientes respondem por mais de 80% dos lucros de qualquer negócio.

f) Menos de 20% das celebridades dominam mais de 80% da mídia, enquanto mais de 80% dos livros mais vendidos são de 20% dos autores.

g) Mais de 80% das descobertas científicas são realizadas por 20% dos cientistas. Em cada época, são uns poucos especialistas celebres que fazem a maioria delas.

Para ramos completamente distintos da atividade humano, a lógica se aplica. Para a formação de um hábito, ao se olhar por cima uma das conclusões do Dr. Dean, aparentemente também!

E a desaceleração dos ganhos foi particularmente acentuada entre alguns participantes do experimento, a quem o hábito-formação simplesmente não parece vir de forma natural - tanto assim que o pesquisador foi surpreendido com a lentidão que alguns hábitos levaram para se formar:

"Embora o estudo só cobriu 84 dias, extrapolando as curvas, descobriu-se que alguns dos hábitos levar em torno de 254 dias para formar - a maior parte de um ano!

O que esta pesquisa sugere é que 21 dias para formar um hábito provavelmente está certo, desde que tudo que você quer fazer é beber um copo de água depois do café. Qualquer coisa mais difícil é provável que leve mais tempo para se tornar um hábito muito forte, e, no caso de algumas atividades, muito mais tempo."

Ou seja: quanto mais complexo for o hábito escolhido, mais difícil é processo de implementá-lo, e a percepção de ganhos, ao menos sob a minha ótica, como vai se diluindo com o tempo tal como a informação sobre os gráficos revelaram, demonstram que o processo precisa de perseverança contínua independente da percepção de progresso dentro do processo.

Muito interessante!

Vamos para a pergunta-chave deste texto: quanto tempo levamos para formar o hábito do estudo?

A resposta é, em um primeiro momento, desestimuladora: não sei!

E não sei porque ela, a resposta, depende de EXPERIMENTAÇÃO. O psicólogo Jeremy Dean precisou de um estudo - que rendeu um livro - para concluir que o processo de formação de uma hábito depende de uma série de variáveis, e o tempo para a formação do hábito de estudo depende, evidentemente, de pesquisa.

Não existe uma resposta pronta!

Mas certas observações podem ser tiradas, e a consciência delas podem ajudar o estudante a formar de forma segura o hábito de estudar.

Vamos a elas:

1 - Considere que o hábito é uma COMPULSÃO. Compulsão deriva, no estudo, do processo de automaticidade, ou seja, da ação independentemente do pensamento voluntário. O hábito está formado quando alguém se desespera por NÃO poder exercer o ato, desenvolver a atividade que chamamos de hábito.

Como aprendemos sobre plasticidade cerebral, a tendência do cérebro é o de permanecer na inércia. Se o hábito for criado - através de um processo de fuga da inércia - quebrar o hábito formado também implicará em uma dificuldade. Ou seja, uma ver formado o hábito, ele se torna o padrão.

2 - O processo de formação do hábito, caso haja realmente o fornecimento constante do estímulo, acaba por se fixar, mesmo que leve muito tempo.

É preciso perseverar mesmo que no horizonte a fixação do hábito pareça estar longe.

3 - O esforço, ao menos aparentemente, produz mais resultados no início e menos resultado do meio para o fim. Aqui encaixamos a lógica de Paretto. Mesmo que o esforço para a fixação do hábito não esteja, aparentemente, produzindo resultados, a pessoa não deve desistir, pois isso faz parte do processo.

4 - A formação do hábito de estudo possivelmente vai levar um bom tempo, pois se trata de uma atividade complexa, e, tal como vimos, quanto mais complexo for um hábito, mais difícil é estabelecê-lo.

5 - Cada pessoa terá o seu padrão de formação de hábito, pois cada organismo responde de uma forma distinta ao estímulo.

Não sabemos quanto tempo leva para formar um hábito; talvez, neste caso, mais de 200 dias, mas uma vez que temos a ciência de como o processo de formação do hábito ocorre, temos mais consciência do que acontece conosco durante este processo e mais chances de não nos desestimularmos e desistirmos ao longo do tempo.

O cérebro vai batalhar para nos fazer desistir, pois ele tende à inércia. Mas com certeza, após a formação do hábito de estudar, nosso cérebro vai ser o nosso mais importante aliado.

Estudar dói, mas depois passa!

Com informações do site Brainpickings.



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