publicado em 18/06/2012 às 08h04
Ser bom aluno na faculdade garante aprovação no Exame de Ordem?

Não é incomum o questionamento sobre a existência de relação entre o desempenho ao longo da faculdade e nas provas de concursos públicos, principalmente se os temas cobrados no programa do edital coincidem com as matérias e conteúdos do currículo de graduação. Alguns candidatos procuram levantar a seguinte questão: se fui bem nas provas da faculdade, isto quer dizer que terei o mesmo resultado no concurso público?

Indagação semelhante também pode ser feita em relação ao Exame da OAB, principalmente porque no caso há uma afinidade maior e necessária entre os conteúdos. E é comum que as notas obtidas na graduação não reflitam no resultados do Exame.

A reflexão e o questionamento levantados podem nos trazer relevantes conclusões e contribuições sobre o processo de preparação para o concurso público.

Primeiramente, vamos partir da compreensão do que geralmente ocorre na graduação. Tente se lembrar das estratégias que adotava para ter êxito nas provas que se submetia na faculdade. Como e quando geralmente estudava?

Nunca tive acesso a estudos estatísticos parametrizados e estruturados, com definição de população, amostra, margem de erro e grupo de controle, mas arrisco, com tranqüilidade, a afirmar que a maioria das pessoas adotam a mesma estratégia.

Tal estratégia consiste em estudar na véspera da prova, procurando se empenhar bastante, com grande mobilização e, por vezes, tensão e desgaste. Ou seja, o aluno da graduação se empenha de forma significativa, mas o faz apenas no contexto das provas e da véspera de provas.

Também é comum o uso de uma lógica de seletividade do que será estudado. Daí porque se valoriza as anotações de sala de aula, presumindo que estas terão maior probabilidade de cobrança. No caso da estratégia de seletividade do conteúdo estudado, esta se assemelha à idéia do Programa Seletivo, a qual pode ser adotada na preparação para o concurso público, ainda que tendo um custo ou risco (clique aqui para ler Preparação para Concursos e Programa Seletivo).

Mas quanto à principal estratégia, no sentido de estudar na véspera ou na semana de provas, o aluno tanto se empenha que ao final daquela semana está cansado, desgastado e com a consciência tranqüila, de que fez o seu papel. Porém, após a conclusão da graduação, ao fazer uma prova de concurso público, que cobra a mesma matéria e conteúdo daquela prova na qual obteve êxito, não vai bem. O caso do Exame da OAB consiste em exemplo emblemático.

Estabelecidas estas premissas e compreendido o cenário, a pergunta que se faz é: por que isto acontece? Tenho uma hipótese muito clara e tranqüila para explicar, sendo que a sua compreensão pode ser de grande importância na preparação para concursos públicos.

Geralmente, o estudo na semana de provas consiste em estudo pautado numa lógica de mobilização memória de curto prazo.

Quanto à duração, temos três modalidades de memória, as quais correspondem à memória de trabalho, memória de curto prazo e memória de longo prazo. A primeira consiste naquilo que alguns autores chamam de gerenciador da realidade, tratando-se daquela que, ao entrarmos no elevador, nos faz lembrar que no andar de destino devemos sair. A segunda (memória de curto prazo) consiste numa espécie de arquivo temporário e se forma de maneira paralela à terceira (memória de longo prazo), desejada, querida e almejada por todos os candidatos a concursos públicos. (COZENZA, Ramom e GUERRA, Leonor. Neurociência e Educação. Artmed: Porto Alegre, 2011, P. 51).

Portanto, por uma série de motivos, mas principalmente a forma como estudamos, pautada pelo estudo de véspera, de natureza precária, suficiente apenas para o êxito naquela determinada prova, as informações e conhecimentos apropriados o são enquanto memória de curto prazo. Tanto é que, geralmente, no dia seguinte, ou na semana seguinte, ou logo após a prova, não recordamos mais aquelas informações.

Ou seja, este estudo não consiste num estudo permanente, gradativo e consistente, como devemos e acabamos por fazer no processo de preparação para o concurso público. Estudo este no qual damos um passo à frente se dominamos e nos apropriamos da informação antecedente, que ficou para trás. E mais, no qual estamos sempre procurando construir estratégias para reiterar o contato com as informações estudadas e apropriadas, como revisões e exercícios.

Este estudo tende a nos levar à formação de memórias de longo prazo.

E a grande diferença entre a prova da faculdade e o concurso público é que na primeira o objeto de cobrança é delimitado. Tanto é que até mesmo a estratégia do Programa Seletivo tende a funcionar. Porém, no concurso, o objeto de cobrança é extremamente amplo. Não se limita ao caderno do professor. Aliás, o examinador, obrigatoriamente, não é o nosso professor.

Mas o que tem de útil a compreensão de todo este processo?

Uma das teses que pretendo sustentar com o presente texto é que, de fato, o fundamental consiste na formação de memórias de longo prazo. Porém, a formação de memórias de curto prazo também pode ter sua utilidade.

Ou seja, da mesma forma que estudamos na véspera e no dia da prova na faculdade, podemos e devemos estudar na véspera da prova do concurso público. A questão é o que estudar. E nisto entra a importância do tema relacionado às Estratégias de Realização de Prova (clique aqui para baixar o Ebook Estratégias de Realização de Provas).

Mas a principal mensagem que exige a compreensão é de que, no processo de preparação e busca da aprovação no concurso público, devemos valorizar a formação de memórias de longo prazo. Ainda que a construção de memórias de curto prazo possa ser útil e tenha a sua importância.

Ou seja, tudo é uma questão de estratégia!

Fonte: Blog do prof. Rogério Neiva



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