publicado em 26/10/2012 às 05h20
Redundância Cognitiva: Uma Estratégia Útil nas Provas!

Você sabe o que é e como pode lhe ajudar nos estudos o conceito de redundância cognitiva? O nome parece estranho, mas a ideia é bem simples e lógica, podendo ser de grande utilidade nas provas de concursos públicos.

Vamos começar pelo básico e pelo começo: o que é redundância? Redundância trata-se de um conceito bastante comum e utilizado inclusive no universo datecnologia da informação. E aproveitando esta aplicação do conceito para explicá-lo, no caso da TI, quando há um software que roda em um determinado servidor, havendo um arranjo para que, se este servidor tiver problemas, o software passar a ser utilizado rodando em outro servidor, de modo que a utilização e acesso não sejam comprometidos, trata-se de redundância.

Assim, redundância seria quando se utiliza um caminho diferente para chegar ao mesmo resultado. Pode ser inclusive uma medida de contingência.

No caso dos estudos, a redundância cognitiva seria quando mobilizamos uma rota cognitiva diferente para acessar uma mesma informação ou solucionar um determinado problema. Conforme afirma o grande neurocientista e ganhador de Prêmio Nobel Eric Kandel, “…a circuitaria cerebral tem uma redundância intrínseca. Muitas funções sensoriais, motoras e cognitivas são servidas por mais de um caminho neural…” (“Em busca da memória: o nascimento de uma nova ciência da mente. São Paulo: Companhia das Letras, 2009, pág. 143).

O nosso cérebro tem naturalmente a capacidade de adotar esta estratégia. E o seu uso estratégia tende a ser muito útil e importante, por vários motivos.

A lógica que está por trás deste mecanismo tem na sua base o funcionamento da nossa cognição, em termos neurobiológicos. O pensamento e o resgate de informações memorizadas decorre de determinados padrões de sinapses, ou seja, de interação entre neurônios e neurotransmissores. Portanto, recordar uma informação na hora da prova significa realizar este processo neural.

Porém, podemos fazer caminhos diferentes em termos de sinapses para resgatar uma informação ou solucionar o problema. E quando fazemos isto, durante os estudos e antes das provas, estamos previamente criando uma nova rota cognitiva para o nosso cérebro, para o caso de precisarmos da informação na hora da prova. É o que ocorre quando podemos usar mais de uma estratégia para resolver um problema de matemática.

Vamos a um exemplo bem simples, mas que pode ser útil para a compreensão prática da idéia e inspirar o uso da estratégia para outros casos. Vamos trabalhar com três conceitos de Direito Constitucional, os quais correspondem ao de poder constituinte derivado, espécies de constituição e cláusulas pétreas:

Conceito 1 – poder constituinte derivado: possibilidade de alteração do texto da Constituição;

Conceito 2 – constituição semi-rígida (classificação das constituições): pode ser alterada, mas sofre restrições de natureza material (matéria), formal (forma) ou temporal (circunstâncias);

Conceito 3 – cláusula pétrea: matérias petrificadas, envolvendo normas que não podem ser objeto de mudança constitucional.

Possibilidades de Rotas Cognitivas:

Rota Cognitiva 1:

Seqüência: Conceito 3 – Conceito 2 – Conceito 1 As cláusulas pétreas consistem em matérias que não podem ser objeto de emenda constitucional(Conceito 3), sendo restrição típica das constituições semi-rígidas (Conceito 2) e que consistem em limitações ao poder constituinte derivado (Conceito 1);

Rota Cognitiva 2:

Seqüência: Conceito 2 – Conceito 1 – Conceito 3 As constituições semi-rígidas(Conceito 2) são aquelas em que o poder constituinte derivado pode se manifestar, mas como limitações (Conceito 1), sendo que as cláusulas pétreas consistem num tipo de restrição de natureza material(Conceito 3), ou seja, quanto à matéria;

Possibilidade 3:

Seqüência: Conceito 1 – Conceito 2- Conceito 3 O Poder Constituinte derivado envolve a possibilidade de mudanças no texto constitucional(Conceito 1), o qual pode sofrer restrições parciais no caso de constituições semi-rígidas (Conceito 2), sendo que estas restrições podem ser quanto à matéria, o que corresponde às cláusulas pétreas (Conceito 3).

Você pode tentar construir várias rotas cognitivas envolvendo várias informações. Além de estar exercitando e reforçando a informação ao pensar nas outras de trabalhar um mesmo conceito ou solução de um problema, você está facilitando o regate na hora da prova.

E inegavelmente a redundância também consiste numa importante manifestação dainteligência humana, enquanto traço distintivo de outros animais cognitivamente menos evoluídos. E não se pode ignorar este aspecto, principalmente nos tempos atuais marcados pela busca de facilidade e preguiça cognitiva, na qual prevalece a lógica do “não me faça pensar, só me faça sorrir”.

E você, o que acha da redundância cognitiva? Pense nisto e deixe a sua opinião e eventuais sugestões de exemplos de uso de redundância cognitiva em forma de comentário! Naturalmente que de maneira respeitosa, educada e inteligente.

Fonte: Blog do professor Rogério Neiva



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