publicado em 29/08/2019 às 14h00
Quatro importantes considerações sobre a escolha da 2ª fase da OAB

No não muito distante XXVIII Exame de Ordem, na prova de Tributário, tiramos uma grande lição para todos os candidatos, especialmente para quem tem dúvidas sobre a escolha da disciplina da 2ª fase agora, no XXX Exame de Ordem.

Aquela prova fez um grande estrago entre os examinandos. E isso por uma razão relativamente cruel: a banca escolheu uma peça inédita e a grande maioria dos candidatos simplesmente não estava preparada para o Recurso Ordinário em Mandado de Segurança.

Padrão de respostas (Direito Tributário)

A prova de Tributário não teve rigorosamente nenhum erro e os candidatos não puderam fazer nada. A banca tem autonomia para definir as peças que poderão ser cobradas e o recurso estava dentro desse rol de possibilidades.

Termina amanhã o período de inscrição no XXX Exame de Ordem

A partir daí tirei algumas importantes lições, especialmente agora, dentro do período de inscrição do XXX Exame de Ordem, quando muitos candidatos precisam escolher uma das disciplinas de 2ª fase.

E que lições são essas?

1 - NÃO EXISTE isso de "disciplina mais fácil".

Não existe isso de disciplina mais fácil para uma segunda fase. Uma simples peça inédita comprometeu a aprovação de uma grande quantidade de aprovados. 

As disciplinas de 2ª fase, TODAS ELAS, são ramos MADUROS do Direito, com ampla doutrina, jurisprudência e possibilidades. Achar que uma disciplina tem um número pequeno de peças ou qualquer outro tipo de facilidade é um IMENSO erro, um erro verdadeiramente CRASSO!

A escolha da disciplina tem de ser NECESSARIAMENTE pautada pela afinidade intelectual do examinando. A escolha tem de repousar onde o candidato sente-se melhor intelectualmente; onde ele consegue entender a situação fática e projetar a respectiva solução jurídica, independentemente do número de peças, artigos ou qualquer outra coisa.

No caso de dúvida entre duas disciplinas, a única forma racional e inteligente de decidir está em resolver provas anteriores para verificar em qual das duas o desempenho é melhor. 

Simples assim!

2 - SEMPRE uma peça inédita poderá ser cobrada.

Não é a primeira vez que uma peça inédita é cobrada em uma 2ª fase e nem será a última. 

Toda disciplina pode enfrentar uma novidade. 

No XIX Exame de Ordem, por exemplo, foi cobrada uma contrarrazões de apelação em Penal. Foi a mesma coisa: era uma peça inédita e a esmagadora maioria dos candidatos não estava preparada. Resultado: reprovação em massa naquela disciplina.

Lembro-me que apenas o Geovane Moraes, e um outro professor que agora não me lembro o nome, deram as contrarrazões em Penal, enquanto outros professores fizeram uma força para empurrar a apelação goela abaixo dos candidatos como peça possível, pois não haviam treinado seus alunos.

Falharam miseravelmente, pois a banca não aceitou nada além das contrarrazões.

Treinar tudo é fundamental para o sucesso na 2ª fase.

3 - A preparação vai ALÉM do seu professor.

Estou vendo por aí alguns professores fazendo uma força danada para falarem que deram a peça de Tributário.

Um professor dá uma peça quando ele ENSINA a fazê-la, de cabo a rabo, do início ao fim, começando pela competência, terminando no fechamento da peça e envolvendo tudo o que vai no meio dela. Apenas indicar a peça, ou sugeri-la, não é ensinar, não em uma segunda fase, quando a peça precisa ser desenvolvida e treinada de forma MANUSCRITA.

E nem sempre isso acontece.

COMPETE ao candidato se assegurar que vai treinar TODAS as possibilidades.

COMPETE ao candidato escolher um bom curso.

A segunda fase é prática, é treinamento, é fazer calos nos dedos e na mão de tanto escrever. Se o candidato não escreveu, ele não estudou a peça.

Certifiquem-se de treinar tudo. Certifiquem-se de escolher um bom professor, um que dê de verdade todas as peças.

4 - APOSTAS são enganos!

A partir do XXIV Exame passei a fazer "apostas" para os candidatos, que sempre pedem esse tipo de "orientação".

Só comecei a fazer isso agora, após praticamente 12 anos de Blog, em função da demanda absurda dos candidatos em saber o que eu acho o que vai cair.

E desde que comecei a fazer isso, sempre faço uma FORTE RESSALVA: Aposta é somente uma aposta!

E como tal, a minha aposta não é melhor do que a posta de rigorosamente ninguém. Lidar com o Exame de Ordem após mais de uma década de inovação em preparação estratégica não me deu o dom da presciência.

Quem, em Tributário, apostou no que caiu?

Ninguém!

Apostas existem em função da imensa ansiedade dos candidatos, mas elas, no fundo, mais prejudicam do que ajudam. Podem gerar uma falsa expectativa.

Agora, para esta prova, eu mesmo errei TODAS as minhas apostas. E isso não tem nada de extraordinário! Na prova passada também errei todas.

A maioria das apostas, ou mesmo quase a totalidade, apontavam para o mandado de segurança em Tributário. Deu no que deu.

Na hora em que o caderno de prova é aberto, a surpresa de quem fez Tributário não deve ter sido pequena. 

Não teria sido bem melhor chegar pronto para tudo, sem a expectativa do que poderia cair mas com a certeza de estar pronto para tudo?

Fica então a dica: escolham a segunda fase com muita segurança, consciência e zelo.

É muito triste ver candidatos bem preparados e inteligentes reprovarem por conta de uma peça que não foi adequadamente estudada. Todo um potencial travado porque a preparação não abrangeu o necessário para a aprovação.

A peça não é difícil e sua hipótese de incidência é relativamente fácil de compreender. Mas ali, na hora da prova, com toda a pressão por cima, tentar achar a solução certa sem ter treinado direito antes é uma missão extremamente árdua.

Treinamento é tudo! Aprender direito, redigir, montar esqueletos e todo o mais, em cada peça, de forma estruturada, é fundamental para a aprovação.

Tenham em mente uma coisa: a reprovação pode estar nos detalhes, e a banca não tem pena de ninguém.



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