Prática Pós-Pandemia

Venham se preparar para o futuro das lides no país!

publicado em 28/11/2016 às 15h24
Prova do XXI Exame pode ter sido apocalíptica

Muitos me chamam de "Guru da OAB" por ter um longo histórico de acertos em previsões e análises da prova.

Mas isso de "guru", evidentemente, é uma brincadeira. Eu não tenho dons transcendentais para adivinhar as coisas, tão somente faço análises com o máximo de critério possível, sempre respeitando a inteligência alheia.

E, quando erro, procuro me penitenciar. Como meu trabalho é público, o pedido de desculpas também deve ser.

E eu errei.

Antes da prova escrevi que imaginava uma prova igual as suas antecessoras imediatas: XIX, XX e XX em Salvador (Reaplicada por conta da ameaça de bomba no local de prova).

Fazia sentido para mim imaginar isso, afinal, todas as 3 provas foram bem elaboradas e não geraram controvérsias. Claro, tem sempre a questão da OAB não anular questões, em alguns casos de forma equivocada, mas nessas 3 edições tivemos ao menos número pequeno de recursos elaborados, coisa de 2 ou 3, no máximo, o que é um indicativo da qualidade geral da prova. Apenas na prova de Salvador tivemos uma anulação de uma questão escancaradamente equivocada.

Em suma: nas 3 últimas provas tivemos, muito provavelmente, as 3 melhores provas de 1ª fase da OAB. Ou, ao menos, provas com as quais ninguém teria com o que implicar.

Pensei comigo: "Não é possível que eles vão inventar a roda e mexer em uma formulação que está funcionando redondinho." Era o razoável de se imaginar.

Pois quebrei a cara! E quebrei feio!

Acredito estarmos diante da pior prova do Exame de Ordem de todos os tempos! E tenho razões para crer nisto.

A pior prova, até hoje, foi a do IX Exame de Ordem. Ela foi tão ruim que a OAB sequer divulgou a lista preliminar de aprovados. Depois de um tempo eu fiquei sabendo o porquê disto: o percentual de reprovação havia sido acima de 90%. Fiz uns cálculos por conta própria, à época, e estimei em uma reprovação de 92% dos candidatos. Quando a lista preliminar finalmente foi divulgada, a Ordem tomou o cuidado de anular 3 questões, para a coisa não ficar muito feia.

Mitigou o quadro naquela oportunidade.

Ontem as coisas já pareciam esquisitas. As redes sociais, termômetro sensível à empolgação dos aprovados, estavam frias. Pela primeira vez em 11 edições eu via mais gente lamentando do que comemorando. O sinal de alerta foi ligado.

Hoje mais cedo vi a movimentação em torno dos nossos recursos de uma forma como há muito eu não via: muitos candidatos desesperados por anulações, mas muitos MESMO, de forma desproporcional.

Uma candidata, aprovada na prova passada com 42 pontos, mas reprovada na 2ª fase, resolveu fazer a 1ª fase agora para "hackear" a aprovação, como eu ensino aqui no Blog, de forma a se garantir na 2ª fase do XXII Exame caso reprove na repescagem. Ela me relatou ter ficado apavorada: os 42 pontos do Exame passado viraram apenas 30 na prova de ontem. É uma diferença brutal, considerando que a média de desempenho dos candidatos nas provas anteriores foi estável, mesmo entre os reprovados.

Mau sinal!

Agora, no fim da manhã, uma evidência surgiu para reforçar a análise. Em um curso presencial de uma capital, dos 78 alunos matriculados, 73 reprovaram.

Isso significa 93% de reprovação.

Evidentemente, por uma questão de pura honestidade intelectual, não posso pegar o resultado de apenas um curso e dizer que essa é a média nacional de reprovação: o raciocínio indutivo seria frágil. Mas não posso ignorar o somatório de dados.

Vamos somar isso com conversar com professores de outros curos e percepções próprias aqui do Portal, e o clima de "Déja Vù" com o IX Exame se forma.

Posso estar errado, mas me parece que estamos diante de uma prova que pode ter reprovado mais de 90% dos candidatos logo de cara.

Eu espero, de coração, estar errado, mas se estiver certo, isso seria simplesmente escandaloso. Uma prova não pode ser apresentada para os candidatos e devolver como resultado um percentual anômalo como este. Seria aniquilar com a ideia de avaliação representada pelo Exame.

As provas passadas, em suas respectivas primeiras fases, estavam aprovando aí entre 30 e 35% dos candidatos, cair para menos de 90% (supostamente) seria assombroso.

Culpa dos candidatos?

Eles sempre levam a culpa, sempre acusados de não estarem a altura da prova. É uma forma fácil de mascarar o problema. No que os reprovados de agora seriam piores do que os candidatos da prova anterior? O mundo mudou tanto assim em apenas 4 meses?

Se o percentual foi esse, então a prova é a culpada. O objetivo do Exame, de avaliar, foi substituído por outra meta: a de reprovar deliberadamente.

Isso é inaceitável!

Mas, como não estou de posse das estatísticas, não posso afirmar nada de forma categórica. Vou esperar pacientemente pela lista preliminar e ver o reflexo do que aconteceu.

O pior que pode acontecer comigo é ficar menos “guru”, mas isso não vai doer muito. A dor mesmo vai ficar com quem estudou de verdade e parou em uma prova sinistra como a de ontem.

No dia 08/12, na quinta-feira da próxima semana, saberemos de verdade como foi a prova. As estatísticas não especulam, elas falam a verdade, pura e simples.

Mas, ainda assim, eu acho que não estou errado: a prova de ontem fez terra arrasada entre os examinandos.



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