Simulado OAB - Questões inéditas e inovações legislativas do período da pandemia

Preparem-se com quem entende!

publicado em 05/08/2020 às 07h50
Polícia investiga postagem que expôs advogada durante prática de exercício

Uma advogada e professora de 33 anos teve um vídeo seu publicado na internet enquanto praticava yoga com uma amiga na Lagoa Rodrigo de Freitas, Zona Sul do Rio. As imagens foram gravadas por dois homens, e um deles faz gestos de cunho sexual enquanto filma com o celular.

O diálogo foi registrado por Ricardo Roriz enquanto conversava com um segundo homem, identificado como “Celsão” que, inclusive, simulava estar se masturbando enquanto filmava. Ricardo filma o amigo registrando as acrobacias de Mariana e aplica zoom na câmera para filmar a advogada com sua amiga.

Confiram parte do diálogo:
 
— Ela está plantando bananeira? Vê, vê, vê.
— Celsão, você fica disfarçando. Vai botar a água ali e ficar fingindo. Celsão, você não vale p**** nenhuma. Olha lá, o que é um velho tarado. (...) Celsão, você e o maior ‘voyeur’.
— Eu gosto pra ‘blau blau blau’ [Afirma fazendo gesto obsceno].

A advogada Mariana Maduro gravou um vídeo, visivelmente abalada, após ter conhecimento que sua imagem estava circulando pelas redes sociais nas contas de Ricardo Roriz, o qual possui uma loja de artigos militares e tem aproximadamente 300 mil seguidores na rede social em que postou as imagens.

“Quando eu cliquei, eu só comecei a vomitar, não conseguia parar de vomitar. A cena é muito grotesca, muito violenta. Vendo aquilo, os comentários. Com eu sou advogada, eu pensei: ‘preciso ter o mínimo de pensamento cognitivo para salvar esse vídeo, printar esses comentários horrorosos’. Porque isso não pode ficar desse jeito. Uma pessoa não pode me expor dessa forma. Eu compartilhei com minha amiga e ela também ficou assustada”, disse.

A advogada procurou a 12ª Delegacia de Polícia localizda em Copacabana para registrar a ocorrência por perturbação da tranquilidade e afirmou que irá entrar com processo contra os dois homens na esfera cível e criminal.

Logo após o fato, as equipes da delegacia fizeram diligências nos arredores da Lagoa Rodrigo de Freitas, mas não encontraram "Celsão". No entanto, a delegada que acompanha o caso, Valéria Aragão, afirmou que os dois responsáveis pelas gravações já foram identificados e intimados para prestar depoimento na delegacia.
 
Mariana disse que começou a fazer ioga após sinais de depressão durante a pandemia de Covid-19. Apesar do bem-estar proporcionado pelos exercícios, ela afirmou que nunca mais quer voltar a praticar.

“Eu não vou voltar a fazer ioga nunca mais. Não quero mais. Eu estou associando isso à violência. O que antes era a minha paz, agora é violência. Me foi tirada a minha paz de tudo, era meu escape. Quando eu entrei em depressão na pandemia, que eu estava sozinha, sem ninguém, todo mundo ficando doente, meus pais são médicos e tinha terror de perder eles ao mesmo tempo, foi o ioga que me tirou disso”, disse Mariana.

“Toda essa memória boa se transformou numa violência. Eu nunca mais vou fazer minha prática de ioga, porque eu nunca mais vou voltar a pensar que minhas pernas estão para o ar num movimento bonito, vou pensar num idiota qualquer se masturbando. É muito triste que as pessoas façam isso com outras sem nenhum tipo de pudor ou remorso”, completou.

A professora de direito empresarial disse ainda que ficou sem dormir por causa da repercussão que a publicação na internet ganhou. Ela diz ter a sensação que virou um “filme pornô”.

“Eu virei um filme pornô, do dia para a noite. Isso é muito bizarro. Eu não sou isso. Sou professora, sou advogada. Trabalho 20 horas por dia às vezes. Eu trabalho muito, estudo muito. Faço um monte de conteúdo gratuito para os meus alunos. E eu virei um filme pornô para as pessoas usarem quando elas quiserem. Eu não optei por isso, fiz duas faculdades. Eu não queria nada disso”, disse Mariana.
 
“A gente está sendo obrigada a estar aqui hoje de pé trabalhando mesmo com um inferno na cabeça. Essas cenas.. Eu não consigo parar de ouvir a voz desses dois, o riso, o ‘blau blau blau’, não consigo tirar esse momento da minha cabeça e pensar ‘quantos vídeos ele tem meu?’. Porque eu estou ali todo fim de semana. Meu Deus do céu. Quantas vezes o meu corpo já não foi usado para essa coisa nojenta? Eu me sinto suja”.

Ricardo Roriz apagou as publicações logo após o caso ganhar notoriedade e publicou uma nota de esclarecimento nas suas páginas do Facebook e Instagram com pedido de descupas.

Polícia investiga postagem que expôs advogada durante prática de yoga 

Resposta da advogada

Em resposta ao pedido de desculpas do autor da postagem, a advogada disse não estar bem com a situação. Segundo ela, seu erro foi ter nascido mulher.

"Essa nota de esclarecimento pra mim é uma afronta. Uma afronta a minha inteligência, principalmente. A gente já está em contato com a polícia. Eu e outras meninas que também foram ofendidas. Eu não temo absolutamente nada. O meu único erro foi ter nascido mulher. Já já esse pesadelo vai começar a amenizar dentro de mim e vai dar tudo certo", comentou Mariana, em uma de suas redes sociais.

OAB-RJ emite nota de repúdio
 
A diretoria de Mulheres da Ordem dos Advogados no Brasil no Rio (OAB-RJ) repudiou o ato praticado pelos dois homens contra a advogada Mariana Maduro. A nota de repúdio foi divulgada nesta terça-feira (4) pelo órgão.

“É inacreditável que, em pleno ano de 2020, corpos femininos ainda sejam objetificados e sexualizados dessa forma, pouco importando para os ofensores as vontades de uma mulher.

Não há mais espaço, em nossa sociedade, para que abusos e opressões continuem ocorrendo. Isso porque, atitudes como essa, perpetuam o não reconhecimento da mulher como indivíduo de direitos”, diz o posicionamento.

Com informações do G1 e Rede Record



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