publicado em 21/08/2018 às 15h19
O que esperar da 2ª fase do XXVI Exame de Ordem?

Muitos têm essa curiosidade, para não dizer praticamente todos os candidatos que farão a prova do XXVI: como é que ela virá?

Para falar sobre os "prafrentementes" precisamos entender os "patrásmentes".

E o contexto é o seguinte: Todas as segundas fases da OAB, do XX até o XXIV Exames, ou seja, 5 edições, foram provas lineares em termos de dificuldade. Tirando, claro, um ou outro problema pontual em alguma disciplina, a percepção média das provas foi POSITIVA.

Como assim, "positiva?"

As provas ficaram, considerando antes a natural dificuldade das provas da OAB, dentro do que os candidatos chamam de "razoável".

Isso, claro, em termos bem subjetivos.

Estatísticamente falando, uma prova da 2ª fase é considerada "boa" quando 50% dos candidatos da 2ª fase são aprovados. Ela é considerada mediana quando 45% deles são aprovados e difícil quando o percentual de aprovação cai para 40%.

A média de aprovação do XX até o XXIV oscilou entre os 45 a 50% de aprovação, de forma bem estável, o que é muito raro de ver no Exame, sujeito a oscilações estatísticas amplas o suficiente para não conseguirmos delimitar o padrão clara quanto ao grau de dificuldade.

Mas aí veio o XXV Exame de Ordem...

E o XXV foi, curiosamente, uma prova melhor se comparada com as 5 edições anteriores, apesar de alguns sustos causados nos candidatos, tal como na peça de trabalho.

Por quê?

Devemos lembrar que a prova do XX Exame foi a primeira que cobrou o NCPC. E naquela época havia o receio, fundado, de todo mundo quanto a profundidade com que a banca iria cobrar o novo Código dos candidatos.

Quando a 2ª fase do XX foi finalmente aplicada, o receio inicial foi disperso, pois a FGV não apertou os candidatos como imaginavam que faria. Ou seja, ela não explorou a fundo todas as mudanças trazidas.

E foi assim até o XXIV Exame.

No XXV a coisa mudou de figura, pois a "quarentena" do NCPC acabou, e a banca explorou mais o novo CPC, de uma forma que não havia feito até então.

Ainda assim, o percentual de aprovação na 2ª fase foi um dos maiores em uma 2ª fase da OAB.

Tivemos 27.291 candidatos aprovados nas duas listas, tanto a regular como a dos candidatos de Porto Alegre (a reaplicação em função do problema do cancelamento gerado pela quebra do piso no local de prova), que fizeram uma prova separada. Naquela significa um percentual de aprovação de 50,79% entre os candidatos da 2ª fase, acima, portanto, da média de 50% que balizaria o conceito de uma boa prova.

A primeira fase do XXVI Exame foi igual, em termos estatísticos, com a 1ª fase do XXV, ou seja, os candidatos acharam ambas difíceis e estatísticamente isso ficou demonstrado.

Agora, como PROJEÇÃO da dificuldade da 2ª fase do XXVI, é razoável supor que teremos provas boas para os candidatos.

A reprovação na 1ª fase foi alta, o novo CPC já foi assimilado e não restou muita margem para a FGV apertar ainda mais, exceto se quiser produzir uma pequena catastrofe em termos de reprovação geral, algo que não acontece desde o XXIII Exame. 

Lembrando que NUNCA as estatísticas da 2ª fase ficaram abaoxo dos 40% em termos de aprovação. Apenas 5 pontos percentuais de diferença pesam muito na percepção da prova.

Estamos agora a 26 dias da 2ª fase da OAB. Quem vai recorrer tem de ter em mente que o tempo para se preparar é, neste momento, bem curto. A decisão de aguardar a 2ª feira da próxima semana é arriscada, pois significará apenas 20 dias de estudos para a 2ª fase, tempo notoriamente insuficiente. 

Não será, é claro, impossível de ser aprovado, mas não dará mais para estudar tudo, disto eu tenho certeza. 

Exceto, claro, que o candidato consiga ao menos dois turno livres para estudar. Neste caso, será possível vencer todo o conteúdo e o treino prático exigidos para chegar forte no dia da prova.