publicado em 23/05/2013 às 14h22
Memorização e evocação para as provas de concursos públicos

Não é preciso se esforçar para convencer ninguém de que a memória tem um papel fundamental no processo de aprendizagem voltado à preparação para concursos públicos e exames. Inclusive, talvez até seja preciso algum esforço para demonstrar que também existem outras habilidades e funções cognitivas necessárias e relevantes, pois atualmente predomina uma centralidade e valorização excessiva da memória.

Porém, muitos candidatos ao pensarem em memória se preocupam ou consideram apenas a atividade de registro e armazenamento da informação, de modo que acabam por não dar a devida importância à atividade de evocação ou recordação. É exatamente sobre o sentido e a importância da evocação que trata o presente texto.

Primeiramente, precisamos definir o que é memória, a qual consiste numa função cognitiva primária, indispensável à aprendizagem, que por sua vez corresponde a uma função cognitiva secundária (Como se Preparar para Concursos com Alto rendimento, Ed. Método, pág , apud PANTANO, Telma. Neurociência aplicada à aprendizagem. São Paulo: Pulso, 2009, pág 23).

A memória envolve a capacidade de apropriação de informações e episódios, enquanto armazenamento, bem como de mobilização das informações apropriadas intelectualmente. Ou seja, há um duplo sentido ou papel, que consiste no registro e resgate do registro.

Não é incomum confundirmos a função com o objeto. Ou seja, chamamos de memória tanto a atividade de memorizar, quanto o objeto memorizado.

Mas o fato é que, raciocinando sobre o aspecto funcional, temos que considerar que existem duas atividades, de modo que além do registro, compõe a função-memória a capacidade de resgate da informação, a qual corresponde à evocação.

E na verdade, o sentido maior da presente função, ao fim e ao cabo, é a evocação. Isto é, não tem muita importância registrar uma informação se, quando for preciso dispor desta informação, não conseguimos a evocar ou resgatar. Conforme afirma Antonio Damásio, uma das maiores autoridades na atualidade no campo da neurociência, “…a capacidade de manobrar o complexo mundo à nossa volta depende desta faculdade de aprender e evocar – reconhecemos pessoas e lugares só porque fazemos registros de sua aparência e trazemos parte desses registros de volta no momento certo.” (E o cérebro criou o homem. São Paulo: Companhia das Letras, 2011, p. 168).

Na prova do concurso público é exatamente da capacidade de evocação que precisamos!

Obviamente que só evocamos aquilo que registramos em condições de evocar. Assim, a capacidade de evocação pressupõe o registro, enquanto formação de memórias. Ao contrário do sustentado por alguns especialistas em preparação para concursos (sem especialização), até por uma questão lógica, não há como fazer exercício de evocação do que não foi registrado em condições de evocar.

Mas refletindo sobre a evocação no contexto da preparação e das provas de concursos públicos,há dois aspectos relevantes a serem considerados. O primeiro envolve a reiteração da evocação ou recordação daquilo que foi armazenado. O segundo corresponde às estratégias para evocação nas situações em que temos dificuldades para evocar.

Quanto ao primeiro aspecto, ou seja, a prática da atividade de evocação, é inegável a sua importância. E é fundamental compreendermos o motivo desta importância, de modo quevou dar o fundamento para que você entenda – mesmo diante do risco de que você desista de continuar a leitura do texto, por achar que não vou direto ao ponto e estar com preguiça de continuar, sendo que se for o caso, adeus, pois este Blog não é para quem tem preguiça de ler!

Do ponto de vista neurofisiológico, a formação de memórias, enquanto registro de informações, consiste em padrões de interação entre neurônios e neurotransmissores, com a mobilização de determinadas partes funcionais do cérebro com papéis fundamentais nesta atividade, tal como o hipocampo. Assim, formar memórias consiste em formar circuitos neurais. E quanto mais consistente o registro, mais consolidado é o circuito e mais fácil para promover a reativação.

Portanto, adotando esta premissa, quando evocamos (obviamente que aquilo que conseguimos evocar), estamos reativando o circuito já formado. O mesmo ocorre quando fazemos uma revisão. E exatamente esta lógica de evocação ocorre quando fazemos um exercício que nos exige relembrar (evocar) a informação trabalhada na questão.

Dassa forma, evocar significa fortalecer o registro correspondente à informação memorizada.

O outro aspecto relevante consiste na estratégia de evocação, principalmente nas provas. Aliás, esta idéia se relacionada às estratégias para realização de provas, tema trabalhado em outros textos específicos (clique aqui para baixar o Ebook do Guia de Estratégias de Realização de Provas).

Vamos imaginar que você está fazendo uma prova e não consegue evocar a informação que precisa para identificar a resposta correta. Mas sabe, conscientemente, que já teve contato com a informação, a qual chegou a ser armazenada enquanto formação de memória.

Porém, naquele momento que tanto precisa, não se lembra. Mesmo tendo sido formado o circuito relacionado ao registro daquela informação.

O que fazer? Aqui vai uma dica muito importante e valiosa!

Primeiramente é preciso tentar construir estratégias para não ficar nervoso e angustiado, pois, por uma série de motivos que não vou discorrer aqui, bem como pela atuação de um conjunto de mecanismos, ficar tenso e nervoso só atrapalha.

Mas então, como fazer?

Bem, é preciso tentar lembrar (evocar) do maior número possível de informações relacionadas com aquela que você busca resgatar. Inclusive, você pode tentar fazer isto por pouco tempo e seguir adiante, pois estruturas inconscientes do seu cérebro continuarão trabalhando na tentativa de evocação. É como se tivesse disparado um mecanismo de evocação, de modo que, de repente, a informação pode aparecer.

Vou dar um exemplo corriqueiro.

Imagine que você quer lembrar o nome de uma música ou de uma banda que não consegue. Daí deve começar a evocar tudo que se relaciona a este pretenso objeto de evocação, como o nome de outras bandas, cantores, outras músicas, eventos, programas, enfim, tudo que conseguir. De repente, o nome da banda ou da música aparece.

Pode testar! O mesmo pode ser feito com nomes.

Mas o que está por trás disto?

No caso, você trabalhou uma estratégia para reativar aquele circuito que não conseguia, a partir de outros circuitos semelhantes. E há vários fundamentos neurofisiológicos e cognitivos para a compreensão deste mecanismo, do quais lhe pouparei neste texto.

Portanto, concluindo, tenha a preocupação não apenas com o registro, no processo de formação de memória. Mas também com a evocação.

Boas evocações de boas experiências e relevantes informações!

Fonte: Blog do professor Rogério Neiva



Cursos, Treinamentos & Produtos

11 ANOS DO
BLOG EXAME DE ORDEM