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Preparem-se com quem entende!

publicado em 29/06/2020 às 15h00
Jovem de origem humilde vence obstáculos e é aprovado na OAB

Com apoio dos pais, um gari e uma professora que terminou o ensino médio aos 34 anos, jovem de Porto Velho (RO) comemora conquistas que vieram a partir da educação: a graduação em direito, a aprovação no Exame de Ordem ainda durante a faculdade, um escritório de advocacia e uma pós-graduação que está prestes a terminar. A família sempre viu na busca por conhecimento o caminho para mudar de vida.

“Meu pai sempre dizia que a educação é a solução de todos os problemas”, conta Leonardo Lima, 24 anos. Assim, o jovem sempre correu atrás do ensino com o apoio do gari Aristelo Lima, 49, e da professora Gerciana Costa, 51. Em 2018, ele passou no Exame da Ordem dos Advogados do Brasil quando ainda estava no 9º semestre da graduação em direito na União das Escolas Superiores de Rondônia (Unirom).

Morador de Porto Velho (RO), Leonardo pegou o diploma no fim de 2018, mas a turma dele colou grau em abril de 2019. A história do advogado que é filho de gari chama a atenção, mas ele ressalta que, apesar de ter vindo de uma família humilde, nunca lhe faltou nada, graças ao trabalho e apoio dos pais. “Eu não posso dizer que a gente vive em uma situação precária, pelo contrário. Há pessoas em situações muito mais difíceis que a nossa”, diz.

“A minha bolha social são pessoas muito carentes e em situações mais críticas que a minha. Eu tenho um pai e uma mãe que sempre me apoiaram e trabalharam para não faltar nada dentro de casa”, acrescenta. “Algumas pessoas nem isso têm.”

Leonardo estudou a vida inteira em escola pública: cursou o ensino fundamental 1 na Escola Municipal de Ensino Fundamental São Pedro; o ensino fundamental 2 na Escola Estadual de Ensino Fundamental Duque de Caxias e o ensino médio no Instituto Carmelo Dutra.

Na época, a mãe dele era empregada doméstica e não tinha concluído os estudos — ela se formou no ensino médio aos 34 anos. Hoje, é graduada em pedagogia e letras. O advogado conta que a família sempre o incentivou na vida acadêmica e nunca deixou faltar nem um lápis para ele estudar. Ele tem duas irmãs de 19 e de 15 anos. A primeira concluiu o ensino médio em 2019, e a segunda está na escola.

Inspiração

“Meu pai sempre falou para mim: ‘Não queira para a sua vida o que nós tivemos’. Ele acreditava que a educação era a melhor forma de mudar de vida”, lembra. “Eu sempre levei o ensinamento dele muito a sério.” Inicialmente, Leonardo almejava cursar ciências aeronáuticas, mas não conseguiu passar pelo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), o que deixou Aristelo um pouco chateado.

No entanto, com a nota obtida na prova, ele descobriu que poderia pagar o curso de direito com o Fundo Financiamento Estudantil (Fies). “Entrei para ver como era e me encantei logo no primeiro semestre. Foi a menina dos olhos azuis para mim”, brinca. A rotina durante os anos de graduação foi puxada.

Pela manhã, Leonardo fazia estágio — ao longo dos cinco anos, passou pelo Departamento Estadual de Trânsito de Rondônia (Detran-RO), pelo Tribunal de Contas do Estado de Rondônia (TCE-RO), pelo Tribunal Regional do Trabalho de Rondônia e Acre (TRT-14ª Região) e pela Procuradoria-Geral do Estado de Rondônia (PGE-RO). De tarde, ainda prestava serviços jurídicos gratuitos para ganhar experiência: em geral, escrevia algumas peças com a supervisão de um advogado.

“Eu sempre quis trabalhar em escritório, mas ninguém me dava oportunidade na época. Então eu comecei a pegar tarefas de graça com alguns advogados só para aprender”, relata. Quando sobrava tempo, ele estudava para concursos. De noite, ia para a faculdade.

“Eu sei que, no fim da graduação, eu estava ajudando um amigo meu a limpar defunto em funerária para complementar a renda”, lembra, rindo. O esforço valeu a pena. No último semestre, Leonardo foi aprovado no Exame de Ordem e em um concurso da Polícia Militar, que preferiu não assumir. “Na época, eu não quis iniciar o curso de formação. Meus pais questionaram o motivo”, conta.

A verdade é que Leonardo deseja seguir a profissão para a qual se preparou durante a faculdade. “Quero advogar”, revela. O sonho dele se realizou. Assim que se formou, Leonardo já começou a atender clientes. Na época, não tinha escritório fixo e marcava as reuniões no trabalho de amigos.

Algum tempo depois, ele alugou uma sala no centro de Porto Velho, onde atua até hoje no escritório Leonardo Lima Advocacia e Consultoria Jurídica. Também não parou de estudar: está terminando uma pós-graduação em direito penal e processual penal.

Só falta entregar o TCC (Trabalho de Conclusão de Curso). O escritório dele é voltado para a mesma área em que está se especializando. Para quem precisa de inspiração ou incentivo para estudar, Leonardo deixa um recado:

“O conselho que eu dou é acreditar. A fé é o princípio de qualquer conquista. Ter fé de que eu vou conquistar algo é o primeiro passo. Se eu acho que não vai dar certo, realmente não vai. Depois, a educação é a transformação de tudo, ela é o fundamento de qualquer coisa na vida”.

Relato emocionante

“Quando o Leonardo era criança, eu costumava chamá-lo de doutor. As pessoas até zombavam de mim porque nós tínhamos uma condição financeira baixa e parecia impossível que ele chegasse aonde chegou. Mas ele sempre quis ser alguém na vida, sempre tirou notas boas e me deu muito orgulho. Eu ficava muito feliz em ver meu filho querendo mudar a história dele porque a educação muda a história de qualquer ser humano. O que eu podia fazer por ele, eu fazia. Ajudava da maneira que dava. Graças a Deus, hoje ele é um advogado de nome aqui em Rondônia e é um grande filho. Um conselho que eu gostaria de dar a todos os pais é de que abençoem seus filhos. Chamem-nos de doutores, mesmo que pareça impossível, porque o sonho pode se tornar realidade, como aconteceu comigo. Eu ainda me emociono com a história do Leonardo. Ele é um rapaz que quer vencer na vida e mudar não só a história dele como a da nossa família. Ele tem projetos de vida para nós e trabalha muito para isso. Ele é o orgulho da minha vida. Por ele, eu faço qualquer coisa, sempre fiz. A educação é o início de tudo. Não é porque eu não tenho uma educação que eu não quero que meus filhos tenham. Eu tenho uma filha de 16 anos, a Lorrane, que sonha em fazer medicina. Com fé em Deus, vou lutar para que ela consiga. Eu não tenho condição nenhuma, mas Deus é dono do ouro e da prata. A outra filha, Rafaela, vai começar um curso técnico em enfermagem em fevereiro. O Flaviano, que é meu sobrinho e filho de criação, se formou na área de recursos humanos. O que eu quero dizer é: quem quer consegue.”

Aristelo Lima, gari, pai de Leonardo

Fonte: Correio Braziliense



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