publicado em 21/12/2018 às 09h45
Fraude: Vagas no concurso do STJ custaram 83 mil por candidato

A Polícia Civil do Distrito Federal cumpriu na quarta passada 13 mandados de busca e apreensão em endereços de Brasília. Os alvos são 10 servidores do Superior Tribunal de Justiça (STJ) suspeitos de terem comprado o gabarito do concurso que preencheu 15 vagas para o cargo de técnico judiciário, em 2015.

Segundo as investigações, há indícios de que os candidatos pagaram R$ 83 mil pelo gabarito com as respostas da prova. Até a última atualização desta reportagem, o STJ disse não havia informado se os servidores continuavam trabalhando.

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De acordo com o delegado Adriano Valente, responsável pela investigação, alguns candidatos "não tinham noções básicas nem de legislação".

"Eles preenchiam de 4 a 5 questões no gabarito, e um membro da banca tinha a função de retirar os cartões de resposta para que pudessem ser complementados de forma correta."
 
Esta é a quarta fase da operação Panoptes, que busca desarticular a chamada "Máfia dos concursos". O grupo é investigado desde agosto de 2017 mas, em 2016, o STJ já tinha aberto uma sindicância interna para investigar os servidores.

Baixo desempenho
 
Em nota, o STJ disse que as suspeitas começaram depois que o corpo técnico do tribunal "levou em conta o baixo desempenho de servidores aprovados no concurso de 2015".

A informação é confimada pela polícia. "Quatro investigados tinham relativa e aparente dificuldade no desempenho de funções básicas", explicou o delegado Adriano Valente.

A falta de capacidade técnica, segundo o inquérito, foi o alerta para que a aprovação deles fosse contestada.

Compra de gabarito
 
A Polícia Civil conta que chegou aos 10 servidores suspeitos por meio de denúncias anônimas. Um dos casos foi denunciado por uma candidata, também investigada.

Na época, ela também teria recebido uma oferta para "comprar uma vaga no concurso do STJ". Segundo a polícia, ao todo, três pessoas confessaram que participaram da fraude, "mas não obtiveram êxito".

Ao todo, 167 candidatos foram aprovados, dez deles teriam comprado o gabarito.

Banca envolvida
 
No decorrer das investigações, a PCDF concluiu que um ex-funcionário da banca responsável pelo concurso para o STJ – o Cebraspe – estava envolvido na fraude. O suspeito, identificado apenas como Ricardo, está preso e foi demitido.

De acordo com o delegado Valente, ele seria responsável por "retirar cartões de resposta da banca para que pudessem ser complementados de forma correta".

"Ricardo foi cooptado para auxiliar na organização criminosa e em algumas fraudes contra essa banca organizadora."

Fonte: G1



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