publicado em 09/12/2014 às 12h03
Estudante "espantado" escreve sobre o número de cursinhos no país

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Achei o texto abaixo em um blog sobre educação e me admirei com a análise feita pelo vestibulando Ederson Oliveira sobre a indústria dos cursinhos para vestibular.

Uma visão bem inteligente, diga-se de passagem. Confiram:

Desabafo

Essa quantidade de cursinhos às vezes me espanta. O número de anúncios e propagandas cresce na mesma proporção em que eles são procurados por estudantes desesperados com os vestibulares da vida.

Não critico a indústria por trás disso, não teria respaldo para tanto. Acho normal, inclusive, existir um mecanismo de preparação para provas que envolvem classificação para qualquer coisa. O que desperta minha preocupação é o motivo dessa demanda. A escola não está conseguindo formar um jovem como deveria, pelo menos na questão intelectual.

Não é um problema fácil de ser resolvido, porque envolve várias questões. Professores recebendo salários que não acompanham a responsabilidade de suas funções e sem protestos aceitos. Colégios sem estrutura física para oferecer a educação em tempo integral. Pais sem interesse na vida escolar de seus filhos.

Soluções são possíveis, mas requerem certo tempo. Enquanto isso, estudantes pobres e sem condições de buscar tais cursos seguem levando certa desvantagem para ingressar na vida profissional.

Este foi um desabafo de quem sentiu na pele as dificuldades de estudar a vida inteira no ensino público (apesar do convênio com a rede Marista) e teme pelos sonhos de tantos jovens brasileiros.

Ederson Oliveira é vestibulando e fez curso técnico em Enfermagem

Fonte: Rotina de estudante

E agora? Vamos acabar com os vestibulares Brasil afora porque criou-se uma indústria caça-níqueis de cursinhos preparatórios?

Indústria caça-níqueis?

O vestibulando autor do texto tem mais bom-senso do que muita gente boa que só sabe apontar o dedo a tudo e todos culpando pelos fracassos no Exame de Ordem.

Certamente há culpa para muitos, em todas as direções, mas o mais difícil é ver alguém fazer uma autocrítica honesta e trazer para si a responsabilidade pelos próprios fracassos.

Quem não faz isso tem IMENSAS dificuldades de progredir.

Muitos elementos podem ser os responsáveis por gerarem o fracasso no Exame: provas nojentas, correções injustas, faculdades medíocres, dificuldades financeiras etc e tal, mas compete ao candidato, E SÓ A ELE, vencer todas as injustiças e ser aprovado no Exame.

E isso por uma questão simples: todos fazem a prova sozinhos!

E se faz a prova sozinho, a responsabilidade é integralmente do candidato.

Assim como o mérito recai integralmente sobre ele.

Todo candidato precisa, em algum momento, fazer uma autocrítica e compreender a si mesmo como estudante. Não uma crítica do momento em que vive, e sim a crítica em perspectiva, olhando para si mesmo no passado, para, exatamente, compreender o que é o presente.

O passado de qualquer coisa fala por ela, e é um instrumento importantíssimo para o exercício da autocrítica.

O fracasso tem causas, e a análise HONESTA das causas pode gerar informações preciosas sobre o que fazer, e, em especial, sobre como será o futuro.

Os cursinhos existem porque oferecem uma preparação ESPECIALIZADA, focada em um determinado objetivo, e isso, por si só, já os tornam diferentes da faculdade, cujo o objetivo é um pouco diferente.

E ele, os cursinhos, também são formas de sanar lacunas de aprendizados surgidas durante a escolha ou durante a faculdade.

Os cursos não fazem parte de uma "indústria", e sim são uma solução para a verdadeira indústria da educação: a própria graduação.

Cursinho vive de oferecer aos seus alunos um resultado TANGÍVEL, enquanto boa parte das graduações, para não dizer uma grande maioria, tem como objetivo oferecer ao final um canudo.

A diferença de objetivos é sensível.



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