publicado em 15/05/2012 às 12h00
Estratégia para se concentrar nos estudos

Como está a sua capacidade para se concentrar nos estudos? Como anda a sua concentração? Tem dificuldade para se concentrar? Conta com alguma estratégia específica para facilitar a sua concentração?

O objetivo deste texto é tecer algumas considerações sobre o tema e apresentar uma simples, eficaz e útil estratégia para se concentrar nos estudos.

Antes de mais nada, é preciso entendermos o que significa concentração, com foco no processo de aprendizagem. Esta compreensão é importante, principalmente considerando as diversas fórmulas mágicas vendidas como soluções milagrosas, por parte de especialistas em preparação para concursos – sem qualquer especialização, muitos dos quais sequer viveram empiricamente o estudo para o concurso, ou contam com alguma base de fundamentos conceituais.

Conforme já desenvolvi em outros textos sobre o tema, a concentração consiste numa função cognitiva primária, fundamental à apropriação intelectual de conhecimentos e informações (PANTANO, Telma. Neurociência aplicada à aprendizagem. São Paulo: Pulso, 2009, pág 23). Trata-se de uma atividade neural que se sujeita a uma lógica de seletividade de estímulos, no sentido de descartar alguns estímulos e valorizar outros.

Portanto, no caso do estudo, precisamos valorizar o estímulo correspondente às informações que estamos tendo contato intelectualmente e desvalorizar e descartar os demais estímulos. Seja os ambientais, de natureza exógena, como aquilo que ocorre no local em que estamos estudando, seja de natureza endógena, correspondente aos pensamentos que desviam a nossa atividade cognitiva.

Portanto, precisamos compreender duas idéias fundamentais: (1) sem concentração não há aprendizagem, considerando inclusive que o processo de formação de memórias, no plano neurofisiológico, começa com o contato e valorização do estímulo; (2) precisamos criar meios para garantir que não tenhamos nossa concentração comprometida com nenhum fator de desconcentração, endógeno ou exógeno.

Se começamos a estudar num determinado turno de estudo, até o momento planejado para a pausa, o ideal seria que mantivéssemos nossa concentração mobilizada para os estímulos correspondentes às informações com as quais estamos tendo contato. E que nenhum pensamento ou estímulo ambiental desviasse esta atenção.

Mas também não podemos negar que a todo momento estaremos sofrendo a ameaça da tentação da dispersãoUma faísca de pensamento desvinculado do estudo pode nos levar para longe. E esta ameaça pode vir do próprio objeto de conhecimento.

Imagine estarmos estudando bens da União em Direito Constitucional, e tomamos contato com o art. 20 da Constituição Federal, compreendendo e nos apropriando da informação de que pertencem à União “os lagos, rios e quaisquer correntes de água em terrenos de seu domínio, ou que banhem mais de um Estado, sirvam de limites com outros países…” (inciso III), “as ilhas fluviais e lacustres” (inciso IV), “as praias marítimas; as ilhas oceânicas e as costeiras…” (inciso IV), “o mar territorial” (inciso VI) e “os terrenos de marinha…” (inciso VII). Daí o nosso cérebro, num espetacular fenômeno cognitivo, dispara de forma involuntária um mecanismo associativo, levando o nosso pensamento para aquela praia ou ilha que desejaríamos estar, seja por termos efetivamente estado, evocando uma memória episódica, seja por criação de nossa imaginação.

No caso, somos tentados a levarmos nosso pensamento para bem longe do art. 20 da Constituição Federal.

Portanto, é este comprometimento da concentração, passível de ocorrer em função de vários fatores,  que precisamos evitar.

Feitos estes esclarecimentos, vão algumas sugestões que compõe a anunciada estratégia para contribuir com a concentração:

- ao começar a estudar, tenha consciência de que a qualquer momento pode entrar em ação um fator de desconcentração, sendo que o seu objetivo, ao iniciar os estudos, é ir até o final do prazo estabelecido (até o momento de pausa), sem tirar o foco do conhecimento estudado, ou seja, sem deixar que este estímulo deixe de ser o principal;

- ainda antes de começar os estudos, feche os olhos, procure relaxar as pálpebras, procure sentir os pés no chão (mas se mantendo relaxado) e respire o mais pausadamente possível, durante 02 a 05 minutos. Use um timer, por exemplo do celular, para marcar este tempo;

- após esta preparação para o início dos estudos, zere o timer e marque o tempo que irá estudar. Faça isto para evitar ficar olhando para o relógio ou celular;

- no caso do celular, em hipótese alguma, veja ligações (mesmo colocando no silencioso), emails ou mensagens. Obviamente que salvo no caso de extrema necessidade;

- se mantenha estudando e pare apenas quando o timer tocar. Evite até mesmo olhar o tempo decorrido e o que ainda falta.

Com estas atitudes, você estará construindo uma importante e eficaz estratégia de concentração. Esta idéia se aplica tanto ao estudo bibliográfico, quando às salas de aula e as aulas na web.

E obviamente que a presente proposta precisa ser adaptada às particularidades de cada um. Além disto, se trata apenas de uma proposta, sem a pretensão do monopólio da verdade absoluta, ainda que considerando a manifesta convicção da sua eficácia.

Enfim, entenda e tome consciência da importância da concentração para os estudos e busque meios de ampliar a sua capacidade de se concentrar. Mas naturalmente sem buscar fórmulas mágicas e ilusões, pautadas na oferta de ganhos fáceis.

Fonte: Blog do professor Rogério Neiva



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