publicado em 08/10/2012 às 06h35
De onde vem a capacidade de lembrar na prova?

Seguramente, um dos temas que mais interessam e intrigam candidatos a concursos públicos consiste em saber o motivo pelo qual algumas informações conseguimos lembrar na hora da prova e outras não. Ou seja, a grande questão é: o que está por trás ou determina a eficácia da nossa memória e da capacidade de evocação?

Bem, primeiramente registro que já tratei do tema da memória e da evocação com várias abordagens em outros textos publicados aqui no Blog, bem como propondo várias possibilidades de estratégias. E não é minha intenção repetir o que já foi dito em outras ocasiões, de modo que o presente texto tem uma abordagem específica sobre o tema.

Assim, a principal ideia que pretendo sustentar agora foi inspirada numa tese com a qual tive contato, desenvolvida a partir de pesquisa sobre a eficácia da memória, ao estudar um livro de autoria de um pesquisador sobre o tema, de nome Daniel Schacter. Na mencionada pesquisa era analisado o funcionamento do cérebro das pessoas pesquisadas, as quais depois de tomar contato com determinadas informações eram submetidas a testes para avaliação da capacidade de evocação e eficácia da memória. Posteriormente, com os resultados, procurava-se analisar como havia sido o comportamento funcional das áreas do cérebro mobilizadas no caso daqueles que conseguiam memorizar de forma eficaz.

E dentre as constatações, chegou-se a uma conclusão de grande importância para quem está se preparando para concursos públicos. A referida constatação foi de que havia ocorrido uma intensa atuação de uma área do cérebro denominada lobo frontal inferior esquerdo e a realização de atividades cognitivas de natureza associativa (SCHACTER, Daniel. Os sete pecados da memória. Rio de Janeiro: Rocco, 2003, p. 41).

Muito bem, e o que isto significa para você que está estudando para concursos públicos? Isto significa dois aspectos importantes, sobre os quais passo a discorrer de forma separada.

O primeiro é que a área do cérebro ativada tem grande importância na atenção e concentração. E o que podemos concluir daí? Que o nível de concentração no momento em que temos contato com a informação é determinante quanto à memorização desta mesma informação.

Portanto, a concentração é fundamental não apenas para que você consiga captar as informações estudadas e entender o conteúdo, mas para se apropriar de forma eficaz e lembrar no momento da prova deste mesmo conteúdo.

O segundo aspecto relevante é que foi constatado, em termos neurocientíficos e funcionais, a importância daquilo que venho chamando de liga cognitiva-associativa. Isto é, o quanto relacionamos aquele novo conhecimento com o qual estamos tendo contato com o que já temos intelectualmente apropriado.

E existem vários fundamentos para compreender o que está por trás disto, o que inclusive já foi objeto de outros textos específicos publicados aqui no Blog (clique aqui para ler A Liga Cognitiva). Mas um destes fundamentos merecedores de destaque consiste na lógica do processo de aprendizagem segundo Jean Piaget, conforme o qual esse se dá pela checagem da nova informação com o que temos (assimilação) e, em seguida, a partir daí, da compreensão do novo (acomodação).

Daí você pode trabalhar dois caminhos para esta associaçãoUm relacionando com o sentido lógico do próprio conhecimento estudado e outro trabalhando técnicas mnemônicas puras.

No primeiro caso, procura-se compreender a informação a partir de suas verdadeiras premissas, como por exemplo entender, ao estudar Direito Constitucional, que a classificação das constituições quanto à mutabilidade (em rígida, semi-rígida e flexível) decorre do conceito de poder constituinte derivado, o que exige a compreensão prévia do conceito de poder constituinte derivado.

Já no segundo caso, do uso de técnicas mnemônicas puras, por exemplo poderia ser criado um acrônico (como a criação de palavras a partir as iniciais de outras), do tipo “RSF” para memorizar as espécies de constituições quanto à mutabilidade (o que significaria rígida, semi-rígida e flexível). Não vou avançar neste tema de como usar as técnicas mnemônicas aqui neste texto, o que exige alguns cuidados e preocupações, considerando o seu objetivo (do texto), bem como pelo fato de que este assunto já foi tratado em vários outros textos específicos.

Mas o fundamental é que você entenda que a eficácia da apropriação intelectual da informação, ou seja, a tão desejada memorização eficaz, bem como o potencial para que se consiga evocar na prova, é determinado em primeiro lugar pelo nível de concentração que você consegue ter quando vai estudar. E também pela relação entre a nova informação e a que você já tem apropriada.

Tudo isto vai de encontro ao que tenho chamado (faz tempo) de consistência do processo cognitivo. Isto é, temos aí a compreensão neurocientífica da diferença entre o que chamo de estudo consistente e estudo precário.

Bom estudo consistente!

Fonte: Blog do professor Rogério Neiva



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