publicado em 15/10/2012 às 07h10
Como estudar matérias difíceis?

Como você faz para estudar uma matéria que considera difícil? Há alguma estratégia para isto?Já parou para pensar na possibilidade de construir estratégias para trabalhar com as matérias tidas por difíceis, ou mesmo neutralizar a percepção de dificuldade?

Este é um tema muito importante, por vezes não refletido e avaliado pelos candidatos a concursos públicos.

Uma primeira questão relevante para reflexão consiste na identificação da reação que temos diante do estudo de matérias que consideramos difíceis. Qual são as características deste fenômeno? Como ele se manifesta? Sem prejuízo de outras, vamos listar algumas possibilidades:

1- desânimo, falta de vontade e preguiça para estudar; 2- impaciência, principalmente nos momentos de dificuldade para compreensão; 3- algumas vezes raiva e revolva, diante da necessidade de ter que estudar algo que não gostaria de estar estudando; 4- facilidade para dispersão e dificuldade para concentração, na medida em que facilmente perdemos a atenção; 5- tendência e facilidade à protelação.

Se você nunca tinha parado para se avaliar e refletir sobre isto, passe a ser observar. Pode ser até que encontre outras características. Mas o fundamental é que tome consciência do fenômeno. Este é o primeiro passo!

A partir daí, precisamos nos questionarpor que consideramos aquela determinada matéria difícil? O que a torna difícil para mim? O que está por trás disto?

Existe um campo de conhecimento na psicopedagocia, ciência que tem como objeto de estudo a aprendizagem humana, denominado matemática emocional, a qual procura investigar a origem das resistências e dificuldades de natureza emocional para o estudo da matemática. Não tenho dúvida que muitas das suas construções podem ser úteis na compreensão das causas da dificuldade que temos com algumas matérias que somos obrigados a estudar na preparação para o concurso público.

Assim, numa tentativa de sistematizar as possíveis causas, destacaria as seguintes possibilidades, de forma concomitante ou isolada:

1- falta ou precariedade quanto às premissas e bases conceituais relevantes relacionadas à matéria: por exemplo, tentar estudar Direito Constitucional sem a compreensão e o domínio de conceitos como poder constituinte, teoria da constituição, espécies de constituição, direitos fundamentais, federalismo e outros semelhantes;

2- exigência de abstração excessiva para a compreensão da matéria. Matemática, por exemplo, é uma das matérias que mais exige abstração, sendo que, não por acaso, popularmente é considerada uma matéria difícil. Vale lembrar que, teoricamente, o concreto é mais fácil e o abstrato mais difícil (clique aqui para Ler O Concreto e o Abstrato nos Estudos para Concursos);

3- estilo aprendizagem e o tipo de matéria: teoricamente, existem quatro estilos de aprendizagem – o que não se confunde com estilo cognitivo ou inteligências múltiplas. O estilo de aprendizagem é como predominantemente aprendemos. Existem quatro estilos de aprendizagem, que são Reflexivo, Teórico, Ativo e Pragmático. Ainda tomando o exemplo da matemática, a qual exige a realização de exercícios, os Ativos e os Pragmáticos tendem a ter mais facilidade que os Teóricos e os Reflexivos;

4- fatores psicanalíticos: é possível que não tenhamos nenhuma consciência dos fatores que determinam a percepção de dificuldade de alguma matéria, exatamente por estes serem inconscientes. Em certa ocasião participei de um grupo de estudo de psicopedagogos, que discutiam o caso de dificuldade de uma criança com determinada matéria, sendo que após muita investigação se descobriu que o pai, que tinha problemas de relacionamento com o filho e não conviviam frequentemente, trabalhava com a matéria, e a hipótese levantada, a qual depois restou confirmada, era de que a matéria tinha a simbologia do pai, o qual a criança resistia e evitava. Caso este problema não tivesse sido identificado e trabalhado, o futuro adulto também teria dificuldades com a matéria.

Considerando as possibilidades levantadas, pode ser que, quanto a alguma matéria que você tem dificuldade, alguns destes fatores tenham determinado. Pode ser que você identifique outros fatores.

Mas a grande questão é, como reverter a percepção de dificuldade e resistência que temos com determinada matéria? Vamos a algumas das possíveis atitudes:

1- primeiramente, tome consciência da forma mais ampla possível da situação. Ou seja,identifique quando tem dificuldade com alguma matéria, reconheça isto, perceba como se manifesta e investigue as causas. Não adianta esconder a poeira embaixo do tapete e ficar fazendo exercícios de pensamento positivo e imagem mental como muitos “especialistas” (sem especialização) em preparação para concurso propõe. É preciso tomar consciência e enfrentar a realidade!

2- alem disto, procure avançar de forma gradativa. Este é o “pulo do gato”! Se você avança gradativamente, desfrutará a satisfação dobrada de dominar aquilo que resistia e considera difícil e, com isto, passa a se sentir mais seguro e motivado para avançar. Trata-se de um círculo virtuoso. Porém, se forçar a barra e radicalizar, pode cair e tornar a situação mais difícil;

3- trabalhar estratégias para neutralizar a resistência no plano emocional, inclusiveconstruindo aplicações concretas e reais do seu dia a dia. Por conta disto, também é fundamental que você leia o texto Aceitar para Aprender (clique aqui para ler Aceitar para Aprender), o qual trata de como minar as resistências emocionais com determinadas matérias.

Com tudo isto, entendendo o fenômeno, trabalhando as causas, promovendo avanços gradativos e trabalhando a superação da resistência, quando olhar para trás verá o quanto evoluiu naquilo que considerava difícil. Neste momento, provavelmente você sentirá orgulho de si mesmo e experimentará uma agradável sensação de satisfação. E com o tempo, pode ser que a dificuldade com a matéria se torne facilidade, bem como a resistência vire interesse e vontade.

Fonte: Blog do prof. Rogério Neiva



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