publicado em 10/02/2012 às 12h00
Atrasos na Execução do Planejamento de Estudos

Qual o sentido do atraso na execução do planejamento de estudo da preparação para concursos públicos? O que significa o plano de estudo estar atrasado? E constatado o atraso, quais as suas possíveis causas e como trabalhar na neutralização?

Para a compreensão do sentido da pergunta e busca de uma resposta, é preciso partir de duas compreensões fundamentais. A primeira envolve a necessidade de um planejamento de estudo com mecanismos de acompanhamento da sua execução. A segunda consiste nas repercussões do atraso e quais as conseqüências.

Quanto ao primeiro aspecto, somente temos condições de identificar uma situação de atraso estando em curso um processo de estudo voltado a determinada finalidade específica, como no caso da preparação para concursos públicos, se contamos com um planejamento e sendo este pautado por etapas e metas.

Neste sentido, contado com metas, principalmente metas de curto prazo, é preciso dispor de mecanismos de monitoramento. Monitorar significa acompanhar a execução, dispondo de parâmetros objetivos que permitam identificar se as metas de curto prazo foram alcançadas.

Sem planejamento que conte com precisão de metas e mecanismos de monitoramento, não há como identificar atrasos. Conforme afirma Kaoru Ishikawa, citado por Vicente Falconi, referência na atualidade no campo das ciências da gestão, “só é gerenciado aquilo que se mede” (FALCONI, Vicente. O verdadeiro poder. Nova Lima: INDG, pg. 03).

Uma das principais propostas da metodologia do Sistema Tuctor consiste exatamente emproporcionar um planejamento de estudos pautado pelo estabelecimento de metas de curto prazo, bem como oferecer mecanismos de monitoramento. Para tanto, existem indicadores de metas, de metas de desempenho e de desempenho. Segundo esclarece o Prof Djalma de Pinho Rebouças “indicador é aquilo que serve de base para se avaliar qualidade ou quantidade…É a expressão numérica do índice…” (Teoria Geral da Administração. São Paulo: Atlas, 2009, pg. 166).

Para tanto, um das principais construções da base metodológica do Sistema Tuctor corresponde à identificação e compreensão do conceito de Unidade de Estudo. Conforme oGlossário do aplicativo, a Unidade de Estudo consiste na “menor unidade gerencial do planejamento da preparação para o concurso público. Consiste na célula elementar que permite realizar estimativas e mensurações. Decorre da natureza da Fonte de Estudo. Se a Fonte for um livro ou apostila, a unidade de estudo será uma página, sendo um conjunto de exercícios, será um único exercício, se a fonte for um curso, a unidade será uma aula…” (clique aqui para ler o Glossário completo).

Assim, as metas de curto prazo são estabelecidas a partir das unidades de estudos e do tempo a ser dedicado a cada matéria ou fonte de estudo. Tais conceitos são relevantes para entender as causas do atraso.

A segunda idéia fundamental a ser compreendida envolve as repercussões do atraso, o que exige a identificação do conceito de duração. Enquanto o tempo, em termos concretos, se relaciona ao quantitativo de horas investidas em determinados fragmentos temporais, como uma semana, a duração tem relação com o prazo no qual se pretende concluir os estudos. Muitas vezes esta data-meta de conclusão pode ser inclusive uma imposição em função da previsão de data da prova.

Também em função da referida compreensão, na metodologia do Sistema Tuctor se estabelece metas de data de conclusão, considerando os parâmetros objetivos-quantitativos informados na montagem do planejamento. Concretamente, no momento inicial da montagem do plano há um indicador que informa a estimativa de data de conclusão. Ao longo da execução, há outros dois indicadores que informam a data estimada para a efetiva conclusão, sendo um com base na última semana de estudos (último microcliclo) e outro com base no que está ocorrendo ao longo de todas as semanas de estudos (resultados gerais dos microciclos).

Com isto, é possível identificar se de fato está ocorrendo ou não atrasos na execução do planejamento de estudos.

Identificado o atraso e a sua conseqüência, a questão que se coloca é: mas quais são as causas do atraso?

Buscando uma compreensão de forma analítica e precisa, em termos objetivos, existem 4 possibilidades a serem consideradas:

1 – furo na grade de estudos; 2- não cumprimento das horas; 3- falta de alcance de unidades de estudo por hora; 4- falta de alcance das metas de unidades de estudo.

As duas primeiras causas podem ser determinadas por indisciplina. Na primeira significa que o compromisso estabelecido na grade de horários não foi cumprido na sua plenitude. No segundo caso também houve o descumprimento do que havia sido comprometido, porém, teoricamente de forma mais contida ou parcial.

Mas a principal causa direta e imediata que determina os atrasos consiste na quarta. Ou seja, a falta de alcance das metas de Unidades de Estudo. E esta, por sua vez, será determinada pela primeira e segunda causa apontada e/ou pela terceira.

Sendo determinada pela primeira e segunda causas (furo na grade de estudos e/ou não cumprimento das horas), ainda que estas decorram da indisciplina, na realidade, trata-se de um fator objetivo-quantitativo que impactará nas metas de unidades de estudo. Isto é, o candidato não estudou a quantidade de horas com a qual se comprometeu e, por isto, não atingiu as metas de unidades de estudo para a semana (ou microciclo).

Já no caso da terceira causa, havia uma estimativa original, relacionada ao próprio candidato, sobre metas de unidades de estudo por hora. Porém, apesar de ter cumprido as horas comprometidas, não alcançou a meta de unidades de estudo por hora. Neste caso, o fator determinante do atraso conta com natureza subjetiva.

Não estou a propor que o mais importante seja o resultado quantitativo. Principalmente dada a minha condição de psicopedagogo e estudioso das ciências da aprendizagem.  Obviamente que é indispensável que o estudo desenvolvido tenha sido realizado de forma cognitivamente eficaz, o que significa ter ocorrido a devida apropriação intelectual do conhecimento estudado.

Porém, devemos presumir que as metas originais de unidades de estudo por hora foram estabelecidas considerando um cenário de apropriação intelectual eficaz. Isto é, as metas são pessoais, subjetivas e considerando a aprendizagem, adequada, o que popularmente se chama de “qualidade dos estudos”.

É bem verdade que esta última situação pode decorrer de uma estimativa inadequada no momento da montagem do plano. Mas aí significa que o erro foi na montagem do planejamento.

De qualquer forma, a idéia fundamental consiste na importância da identificação não apenas das causas dos atrasos na execução do planejamento de estudos, mas principalmente da sua ocorrência. E para tanto, não podemos considerar que montar um planejamento de estudos seja apenas fazer uma grade de horário. É muito mais do que isto, enquanto caminho para garantir racionalidade e disciplina nos esforços intelectuais empreendidos.

Fonte: Blog do professor Rogério Neiva



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