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publicado em 26/04/2013 às 14h21
Artigo: O Exame e a Ordem - uma análise estatística sobre a realidade das reprovações

Brasília – O artigo “O Exame e a Ordem” é de autoria do coordenador Nacional do Exame de Ordem, o conselheiro federal da OAB pelo Mato Grosso do Sul, Leonardo Avelino Duarte, e foi publicado nesta sexta-feira (26) no site Consultor Jurídico:

Os recentes dados requisitados pelo Conselho Federal da OAB à Fundação Getúlio Vargas, a respeito dos últimos cinco exames de ordem, merecem reflexão, especialmente neste momento em que é realizado, em todo Brasil, o 10a Edição do Exame, com recorde de 124.887 inscritos.

O primeiro ponto que merece destaque é que, nos últimos cinco exames, houve um total de 361.110 examinandos, que fizeram a prova 892.909 vezes. Destas 361.110 pessoas, 148.612 foram aprovados, perfazendo uma média total de aprovação de 41,15%. Este índice é bem maior do que a taxa histórica de aprovação nos exames, que orbitou em torno de 15 a 20%.

Quem passa no exame geralmente obtém sucesso na primeira vez que realiza a prova. Com efeito, do total de aprovados, 66.923 prestaram o exame apenas uma vez, ou seja, cerca de 45%. Quem é reprovado, por seu lado, geralmente presta a prova mais de duas vezes. De fato, a média de exames realizados pelos candidatos é de 2,47 vezes.

Isso é confirmado pelo número que, sem dúvida, chama mais a atenção: o percentual de novos examinandos a cada exame, que é de 32,77%. A esmagadora maioria daqueles que fazem o exame está repetindo a prova, e irá fazê-lo por mais de vez.

Poucos duvidam que com crescente número de bacharéis em direito no País, o Exame de Ordem serve de critério imprescindível para garantir a qualificação do advogado, que presta serviço essencial à sociedade. Em menos de dez anos, surgiram no Brasil mais de 900 faculdades de Direito, fato que não pode ser ignorado, já que este número é superior ao número total de faculdades de direito da grande maioria dos países do mundo.

Hoje temos cerca de 750 mil advogados no Brasil, e mais de 1,5 milhão de bacharéis. Apenas em meu Estado natal, Mato Grosso do Sul, que conta com cerca de 10 mil advogados ativos, saem das faculdades mais 2,5 mil bacharéis todos os anos.

No país das faculdades de Direito, há que se ter algum mecanismo que averigue a capacidade do bacharel para exercer a advocacia. Não é razoável que o Estado, personificado na Justiça por juízes, promotores e delegados, tenha representantes mais qualificados que o cidadão, que é representado pelo advogado. Defender o fim do exame é fragilizar a sociedade, aquela cuja existência é a própria razão de ser dos Poderes Públicos. Afinal, o advogado nada mais faz do que encarnar os interesses de seu cliente. Bem por isso, quase a totalidade dos países do mundo possuem provas semelhantes ao Exame de Ordem.

Por outro lado, argumentar que o Exame serve para criar barreiras ao exercício profissional, criando uma espécie de reserva de mercado, é, a nosso ver, absolutamente despropositado. O Exame de Ordem não tem cotas de aprovação, passa quem atinge determinada pontuação. Seria impossível criar uma reserva de mercado desta maneira. Demais disso, nem é verdade que o Exame reprove tanto assim, como vimos acima.

Sustentar que o Exame de Ordem é mantido como fonte de arrecadação pela OAB também é equivocado. A Ordem se manteve por muitos anos, sem nunca precisar do Exame. Seria certamente mais conveniente à OAB cobrar a anuidade dos milhares de bacharéis que se formam anualmente do que limitar a sua inscrição nos quadros da entidade, recolhendo uma taxa de exame que é destinada à manutenção da enorme estrutura da prova.

Na verdade, o que se verifica com o Exame de Ordem é a enorme crise do ensino jurídico no País. As faculdades, em geral, recebem acadêmicos mal preparados, com deficiências oriundas do ensino básico e médio. Essas deficiências não são sanadas no decorrer do curso. As taxas de repetência/dependência nas faculdades que menos aprovam no Exame de Ordem são surpreendentemente baixas. A figura comum do aluno que trabalha rotineiramente em profissão não-jurídica e cursa Direito nas horas vagas, pouco lendo de cultura jurídica, não pode crer que passará no Exame de Ordem.

Por isso, parabéns à Diretoria do Conselho Federal da OAB, encabeçada por seu presidente Marcus Vinícius Furtado Coelho, e ao presidente da Comissão Nacional de Ensino Jurídico, Dr. Eid Badr, bem como ao MEC, que anunciaram o fim da concessão indiscriminada de autorizações para o funcionamento de cursos de Direito até a promulgação de um novo marco regulatório para o ensino jurídico. O Exame de Ordem, temos certeza, embora longe da perfeição, não é parte do problema que assola à cultura jurídica do país. É parte da solução.

Fonte: OAB

O trecho mais interessante do artigo é o que mostra uma realidade até então oculta das estatísticas. Filtrando os candidatos que repetem a prova, ou seja, a contagem repetida de um candidato que tenha reprovado e refeito a prova duas ou mais vezes, considerado aqui os últimos cinco exames (total de 361.110 examinandos que fizeram a prova 892.909 vezes), nada mais, nada menos do que mais de um terço dos candidatos, em números líquidos, já passaram na prova. O percentual de aprovação então seria de 41,15%, ao invés dos 15% de média considerando uma edição em si mesma.

Isso muda um pouco a compreensão sobre os percentuais de reprovação. Partindo desses dados, e seguindo a lógica do texto, as reprovaç?es em massa no Exame de Ordem decorreriam daqueles candidatos que têm mais dificuldades em passar na prova, aqueles que repetem o Exame 4, 5 ou mais vezes.

Some esses dados com a explosão de faculdades mencionada mais acima, e a culpa pelas reprovações inevitavelmente NÃO recai sobre a Ordem.

O texto, tomado em si mesmo, faz sentido, e um sentido difícil de ser refutado.

Ms será mesmo que a lógica da prova e suas caracteríticas, e aqui falo desde sua concepção até suas falhas e injustiças (notórias) não encontrariam espaço nessa equação?

Como já abordei em várias oportunidades, as reprovações, tomadas em conjunto, tem por causas uma série de fatores não correlacionados. Dsde a prova mal-feita até o candidato preguiçoso, passando, claro, pela faculdade mercenária.

É uma história com muitos lados e, certamente, nenhuma verdade absoluta.

De toda forma a Ordem faz seu papel e defende seus interesses. Espera-se apenas, e isso parece que está acontecendo, uma sensibilidade maior quanto a aplicação e qualidade das provas.

O que a massa dos candidatos quer, sem a menor dúvida, é apenas a aplicação de um Exame justo.



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