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publicado em 08/04/2013 às 08h20
A arte de ser um aluno ruim

1Sem título

O professor de Direito Penal do Portal Exame de Ordem, Geovane Moraes, escreveu um interessantíssimo texto sobre a diferença entre ser um bom ou mau aluno, e o que ocorre após a faculdade em concursos ou, em especial, na prova da OAB:

A arte de ser um aluno ruim

Costumo sempre falar nas minhas aulas que o aluno de direito que possui a maior facilidade de passar em provas da OAB é aquele que na época da graduação era fraco, ruim ou péssimo.

Aquele que sentava no fundo da sala para dormir, que ia tão pouco para a aula que não lembrava o nome do professor ou que na hora da matrícula perguntava logo para os amigo: “esse cara faz chamada?”. O que conhece mais do cardápio dos bares no entorno da faculdade do que o acervo da biblioteca. O que pagou durante a graduação dominó I, II, III, IV e eletiva de dominó (ou equivalentes como totó, sinuca, entre outros). Esse é o aluno que passa nas provas de OAB e concursos com maior facilidade. Às vezes passa de primeira.

Já o aluno bom, aquele que sempre sentava na frente, chegava cedo e guardava lugar para os outros alunos bons, que nunca faltava aula, lia todos os livros citados pelos professores, só tirava 10 e ainda olhava com um misto de superioridade e reprovação em ralação aos que rumavam para o bar jogar dominó, este passa, mas pense no trabalho que dá.

E antes que comecem a me atirar pedras, me permita dizer que se trata de uma constatação sociológica. Faça um exercício mental. Lembre-se dos piores alunos da sua turma. Aqueles que você tinha certeza quem sequer iriam terminar o curso. Agora se lembre dos melhores, os queridinhos dos professores. Qual dos dois passou mais rápido na OAB? Qual dos dois passou mais rápido em concursos? Qual dos dois está progredindo mais rápido na profissão?

Caso você tenha chegado à conclusão de que são os primeiros, você pode estar se perguntando por que isso acontece.

Não sou especialista em semiótica educacional, mas tenho uma ideia empírica, abstraída de 16 anos como professor.

O bom aluno sabe demais e por isso ele briga com a prova. OAB não é lugar para você defender o que acha mais certo ou errado, mais lógico ou ilógico, mas sim para responder exatamente o que a banca quer que seja respondido. Fugir disso é pedir para não passar. Caso a FGV queira que seja você indique como resposta da soma de 2+2 o resultado 05, é isso que você vai ter que responder.

“Mas espere aí professor, todo mundo sabe que a resposta é 4”. Isso é o que dirá, de cara, um bom aluno. Ou: “eu não posso responder isso sabendo que está errado, a banca vai ter que mudar o gabarito”. Ou ainda: ”vamos fazer um movimento pelas redes sociais e acabar com esse absurdo”.

Sabe o que o aluno ruim pensa: “espere aí, eu escutei o professor do curso preparatório dizer que era para marcar 5”. Sabe o que ele faz? Marca a alternativa que indica 5. Sabe o que acontece? Ele acerta a questão e o aluno bom errou.

Vejo isso acontecer demais com meus alunos. Essa semana fiz uma Facecam para a prova da OAB e depois fui observar as perguntas que chegaram por in box. Tinha falado sobre a possibilidade de um condenado por crime hediondo iniciar o cumprimento da pena em regime semiaberto, conforme entende o STF. Quando abri a caixa de mensagens percebi duas mensagens de alunos que vão fazer o X exame, que se adequam bem ao que estou colocando.

Primeira mensagem: “...adotar um posicionamento supra legis que permita estabelecer pena mais branda para condenados por crimes cujo legislador originário, mediante rubrica expressa da norma, entendeu que devem ser punidos de forma mais gravosa, é ofender a tripartição de poderes, os princípios da teoria diferenciadora e sepultar as ideias da tipicidade conglobante...” – Aluno maravilhoso de graduação, leu Zaffaroni, Roxin e mais um monte de coisas, mas terá uma dificuldade gigantesca em passar na OAB.

Segunda mensagem: “... professor, peguei a dica: caso a FGV me pergunte se o condenado por crime hediondo deve começar obrigatoriamente a cumprir a pena em regime fechado digo NÃO. “ – Aluno ruim. Esse passa de primeira.

Para quem não captou ainda, é lógico que estou usando a expressão aluno ruim no sentido caricato do termo. Minha intenção é mostrar que o mais importante não é a quantidade do que você estuda, mas sim o foco em relação ao seu objetivo. Oriente seus estudos para a finalidade pretendida. De nada adianta estudar horas a fio se a forma ou o conteúdo de seus estudos não estão adequados à realidade da prova que você vai fazer. É cansar a mente e perder tempo.

Quantas e quantas vezes não escutei a frase: “eu me matei de estudar, estudava 10 horas por dia e não passei nesta prova. Como isso é possível?”. Muito simples: o seu estudo não foi direcionado para o tipo de prova que você vai fazer.

Não estude para OAB como se você estivesse estudando para provas da graduação ou para defender o TCC. OAB não quer saber de tipicidade conglobante ou de visões doutrinárias conflitantes. O que cai é lei e jurisprudência.

Conheça com intimidade os Códigos, esteja atualizado com a jurisprudência, faça o máximo de questões que você puder, de preferência da banca que está organizando sua prova. E o mais importante: não queira que a prova concorde com você. Você é que deve concordar com a prova.

Um cheiro para quem for de cheiro e um abraço para quem for de abraço.

(Dedicado aos meus colegas de graduação da turma Barbosa Lima Sobrinho, mais conhecida como Cirrose, o maior aglomerado de maravilhosos alunos ruins que tive oportunidade de conhecer)

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