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Como se Preparar para a Prova Destaque

Como se preparar para a OAB após muito tempo sem estudar?

Como se preparar para a OAB após muito tempo sem estudar?

Não é raro vermos candidatos perguntando como se preparar para a OAB após terem passado muito tempo sem estudar. Nem todo mundo faz o Exame logo após concluir a faculdade e, pelas razões mais variadas, resolvem depois de um tempo adentrar no mundo jurídico, quando ser aprovado na OAB então se faz necessário.

E ficar muito tempo sem estudar é um problema.

Não só temos a superveniência do esquecimento de muito do que foi estudado como também temos um mar de alterações legislativas que reobrigam a uma reciclagem bem abrangente.

Mais recentemente tivemos a mudança no Código de Ética da OAB, no Novo CPC, na CLT, na LINDB entre outras muitas mudanças em praticamente todos os códigos, afora alterações jurisprudenciais.

Esses dois problemas constroem uma percepção de que voltar e estudar novamente é um desafio muito grande, dificultando ainda mais a prova da Ordem.

Mas para todo mal há uma cura, e as dificuldades são todas superáveis.

E quais seriam os passos para voltar com toda a carga à preparação? Vamos lá!

1 – A questão da edição certa da OAB a se inscrever

Ninguém esquece por completo o que aprendeu na graduação. A distância imposta pelo tempo ao conhecimento adquirido lá no passado não apaga a lógica jurídica e um razoável volume de conhecimento do cérebro de ninguém.

Mas este tempo todo afastado não permite que se faça a prova de imediato.

Ou permite?

A escolha da edição certa da OAB para fazer é fundamental, pois se o candidato de plano já faz a edição mais próxima, e por ventura reprove, corre o risco de se desmotivar e mesmo de achar que o Exame é difícil demais para si.

Escrevo desde sempre sobre a questão do tempo, e tenho a convicção de que o tempo ideal para quem está saindo da faculdade iniciar os estudos para uma edição da Ordem é de 5 meses.

Por que 5 meses?

Porque estudar não é só ler ou assistir uma aula. Estudar é um processo com várias etapas envolvidas, etapas pensadas para que o candidato estabeleça com segurança aquilo que chamamos de memória profunda, ou seja, a retenção segura do conhecimento na memória.

Como esse processo de preparação demanda o consumo de um tempo razoável ao longo de uma sessão de estudo, o tempo total a ser gasto ao longo dos meses demanda os 5 meses de preparação.

Mas para quem está enferrujado 5 meses não é pouco?

Tenho a certeza de que não!

E isso por três motivos:

1 – Quem já fez o curso não terá de aprender o conteúdo, mas sim relembrar e reaprender. Já existe uma formação prévia, não se tratando em “sair do zero.” Quem vai voltar a estudar tem lastro e esse lastro será recuperado.

2 – O lapso de 5 meses é o suficiente para se estudar com método, calma e segurança. Não é preciso mais – sendo que um pouco menos é até factível – para relembrar e reaprender conceitos e conteúdos para a OAB.

3 – A prova da OAB tem ficado mais difícil com o passar dos anos, isso é fato, mas ainda assim o volume de conteúdo a ser estudado é menor se comparado com qualquer outro concurso público. Algumas questões da prova são terríveis, mas a grande maioria ainda está um nível abaixo de provas para técnico e analista judiciário, e isso sem contar a inexistência de concorrência. Um bom curso preparatório e um bom livro de doutrina para OAB atualizados são o suficiente para voltar à ativa.

Tendo esses elementos em tela, podemos olhar para duas edições que se avizinham: o XXVI Exame e o XXVII.

Seguindo esse lógica, o XXVI está muito em cima, e não seria a melhor das opções. Faltam dois meses e duas semanas para esta prova, o que está longe do ideal para quem vai voltar da inatividade.

O foco, portanto, seria o XXVII.

Na impede, contudo, que a prova do XXVI seja feita. O planejamento e preparação serão para o XXVII, mas se houver o interesse de fazer a prova do XXVI – sem nenhum tipo de compromisso e pressão – não há problema algum.

É interessante não só para voltar a sentir o clima da prova como também para avaliar o seu atual estágio de complexidade. E vai que a prova seja boa e a aprovação “cai do céu”. Seria algo muitíssimo bom. Por outro lado, se a reprovação ocorrer, ela estará dentro do cálculo, até mesmo porque é o resultado, em um primeiro momento, esperado.

2 – O material de estudo

Uma regra elementar de preparação para a OAB: a aquisição de material idôneo de estudo.

Existem muitas opções no mercado, desde produtos piratas até mesmo gratuitos. Mas o ideal, sempre, é usar material idôneo, feito por quem lida com o Exame de Ordem.

É esse material que dará a base para a preparação.

Existem muitos cursos preparatórios, assim como também muitos livros feitos por editoras sérias. Essas seriam, portanto, as fontes primárias de conhecimento a serem utilizadas.

Obviamente, é necessário fazer esse investimento. E isso vale tanto para quem está parada há muito tempo como também para quem está recém saindo da faculdade.

As editoras Rideel, Foco Jurídico, Saraiva e Método possuem bons “livrões” para a OAB. Livros de doutrina voltados especificamente para a prova objetiva da Ordem.

Quanto a cursos online, existem dezenas de opções no mercado. Recomendo, claro, o do Jus21, coordenado por mim para o Exame de Ordem.

Jus21 – Preparatório para a OAB e concursos

Curso Completo de Teoria e Questões para o XXVI Exame de Ordem

Em termos de cursos ainda não existe no mercado nenhum direcionado para o XXVII, e sua aquisição ainda deve esperar um pouco. Os cursos mais sérios sempre gravam aulas para cada edição do Exame, exatamente para manter o material sempre atualizado. Isso é importante na hora da escolha.

Um “livrão”, um curso e um vade mecum (para quem gosta de ter a fonte da consulta na mão. Quem não gosta pode olhar tudo no site do Planalto) formam a base da preparação.

3 – O planejamento

Definida a edição do Exame, e adquiridas as fontes primárias de estudo, é importante preparar um cronograma de estudo.

Para a montagem do cronograma é fundamental, antes de qualquer coisa, de se estabelecer um forte compromisso com o horário de estudo. Sem isso a preparação SEMPRE será capenga.

Como desenvolver disciplina para estudar?

A maior dificuldade dos examinandos está sem ser disciplina com a preparação, em executar com o planejamento previamente estatuído.

Com as fontes de informação e consulta na mão, é importante dividir o conteúdo de forma equitativa ao longo do tempo disponível de estudo.

Ou seja: é preciso fazer um cronograma.

Isso ajuda de forma sensível na fixação da disciplina necessária para se fazer a prova.

Confiram abaixo um modelo de cronograma. Não seria o correto para quem vai fazer o XXVII Exame, mas é o ideal para quem vai fazer o XXVI:

NOVO Cronograma de Estudos para o XXVI Exame de Ordem

Mais algumas semanas e publicarei um cronograma para o XXVII Exame. Mas, com base no modelo acima, vocês mesmos podem criar um a partir do zero.

4 – A metodologia de estudo

O sucesso e o fracasso dependem só do candidato e de seu esforço. E isso por uma razão simples e óbvia: na hora da prova o candidato estará sozinho. Nessa condição é muito bom poder confiar em si mesmo!

O Estudo para o Exame de Ordem pode ser estruturado da seguinte forma, sem, no entanto, pretender excluir nenhum outro ou considerar este como o melhor:

Ponto 1

Leitura da doutrina e/ou acompanhamento de uma aula seguida da leitura SIMULTÂNEA ou logo POSTERIOR da legislação correlata na medida da evolução da leitura ou aula (na aula online o aluno pode parar a aula, ler o que quiser, e depois continuar do ponto onde parou. Isso representa uma imensa vantagem em termos de estudo que a aula presencial ou satelitária não podem acompanhar). Aqui o candidato estabelece os vínculos entre os conceitos, teorias e a norma.

Temos de enfatizar um ponto relevante. As questões do Exame, em larga medida, exigem dos candidatos dois aspectos fundamentais: a memorização e o raciocínio.

Qual o melhor método para OAB: intercalar disciplinas ou esgotá-las uma de cada vez?

Memorização porque grande parte da prova faz menção ao texto da Lei, enquanto outra parte, em menor proporção, exige uma resposta a partir do conhecimento da Lei aplicado a um problema hipotético proposto. Só estudar pela lei seca não propicia ao candidato de forma, mais rápida, a compreensão dos institutos jurídicos como um todo. Neste ponto, para ajudar na compreensão do conteúdo normativo, a leitura simultânea da doutrina (no caso, adaptada ao estudo do Exame de Ordem) faz-se necessário.

Como usar a lei seca no estudo para a OAB

Não é só memorizar! Esse é um processo pobre de estudo. Trata-se de compreender o que está estudando. E, na hora de resolver uma prova, quem compreende geralmente vai bem melhor comparando com quem somente decora.

Essa é a razão para a leitura da doutrina e da Lei de forma simultânea;

Ponto 2

Elaboração pequenos resumos ao término de cada tópico do livro que está sendo estudado ou da aula que acabou de ser assistida. A elaboração de resumos, feitos DE CABEÇA, não só ajuda a delimitar o que não foi apreendido com a leitura inicial, como é uma importantíssima etapa de fixação do conteúdo. Se você lembra o conteúdo, ao menos naquele momento, está fixado;

Ponto 3

Revisão do conteúdo estudado dentro de um período em específico, uma vez por semana, por exemplo. Essa medida atende à preocupação em se avançar no estudo do conteúdo sem perder a informações previamente estudadas. Ou seja, avançar nos estudos sem esquecer o que ficou para trás. Esta medida é basilar.

Todo estudante almeja a chamada “memória profunda”, ou a fixação definitiva de uma informação em sua memória. Tal processo não acontece por milagre, uso de técnicas mirabolantes ou sistemas mágicos. É preciso ler, compreender, reforçar o conteúdo e disponibilizá-lo com constância, seja dando aulas (para si mesmo até), elaborando resumos sem efetuar nenhuma consulta ou resolvendo exercícios.

A revisão tem o fito de evocar um conteúdo anteriormente estudado e reforçar sua fixação no cérebro.

Vou repetir: isso é FUN-DA-MEN-TAL. A informação deve ser trabalhada com constância para se estabelecer os processos de compreensão e memorização. Sem milagres, técnicas mirabolantes ou revolucionárias.

Ponto 4

A resolução de exercícios é a última etapa desse processo e ela é muito importante. Primeiro porque ela se enquadra como um processo ao mesmo tempo de revisão do conteúdo, de desafio ao raciocínio, em razão da adaptação do conhecimento a um problema hipotético, ajudando no desembaraço mental, como também representa uma etapa de adaptação ao sistema de enunciado da banca, e tal adaptação é VITAL!

Notem que o processo de estudo não pode ser trabalhado de forma estanque: o candidato deve se inteirar da doutrina, confrontá-la com a lei, elaborar resumos e resolver exercícios. Essas etapas, distintas entre si, mas consideradas como um processo global, certamente produzirão ótimos resultados como método de aprendizagem.

Não incorram no erro de optar por apenas uma dessas abordagens em detrimento das demais. Pode ser que um candidato tenha sido aprovado apenas escolhendo uma sistemática, mas é muito provável que isso represente uma exceção, e não a regra.

Não existem técnicas milagrosas ou sistemas de estudo rápido. Estudar é um processo complexo que sempre demandou e sempre demandará tempo.

Na prática a preparação para quem está parado há muito tempo não difere muito de quem está saindo na faculdade. Com tempo de preparação mais elástico, uma metodologia correta e disciplina os estudos irão render o necessário para a aprovação vir.

Estão esperando o que para começar?

Maurício Gieseler

Advogado em Brasília (DF), este blog é focado nas questões que envolvem o Exame Nacional da OAB, divulgando informações e matérias atualizadas, além de editoriais, artigos de opinião e manifestações que dizem respeito ao tema. Colocamos, também, a disposição de nossos visitantes provas, gabaritos, dicas, análises críticas, sugestões e orientações para quem pretende enfrentar o certame. Tudo sobre o Exame de Ordem você encontra aqui.

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